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Cancelamento de festivais provoca prejuízos de centenas de milhões de euros

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Britain Virus Outbreak Glastonbury
Britain Virus Outbreak Glastonbury   -   Direitos de autor  Grant Pollard/Invision
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Este verão não haverá grandes concertos ao ar livre na Europa, touros a correr pelas ruas de Espanha ou festivais de cerveja na Alemanha.

O novo coronavírus obrigou ao adiamento da maioria dos espetáculos que atraem multidões.

Um prejuízo que se conta às centenas de milhões de euros, como é o caso do Fringe Festival, em Edimburgo, na Escócia.

A diretora do festival, Shona McCarthy, admite que o adiamento da edição deste ano "deixa um défice de cerca de 1,5 milhões de libras (1,7 milhões de euros) no nosso orçamento porque para podermos suspender a edição deste ano, quisemos primeiro assegurar o reembolso de todos os artistas e companhias que já tinham confirmado a presença a 100%. Provavelmente, tem um impacto económico para a cidade de cerca de 200 milhões de libras (228 milhões de euros) por ano".

Todos os anos, em agosto, o Fringe acolhe mais de 4 mil espetáculos e 55 mil performances. É o maior festival do mundo de artes performativas em direto e uma montra para os artistas e companhias que ali apresentam os seus trabalhos ao público.

Na plateia costumam também estar muitos programadores e organizadores de festivais que, muitas vezes, lhes oferecem contratos de trabalho para os meses seguintes.

Bem conhecido internacionalmente é também o Boom festival, na vila portuguesa de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco.

40 mil pessoas de mais de 170 países já tinham bilhete comprado para a edição deste ano, mas o fecho das fronteiras adiou tudo para 2021 e deixou a região sem uma importante fonte de receita.

Artur Mendes, da organização do Boom Festival, lembra que em 2018 "o impacto económico do festival em Portugal foi de cerca de 56 milhões de euros, na região de Idanha-a-Nova de cerca de 2,5 milhões de euros e no distrito de Castelo Branco de 1,4 milhões de euros".

A organização do Boom ainda não contabilizou todos os prejuízos mas serão "na ordem das centenas de milhares de euros", até porque, como lembra Artur Mendes, "o festival não tem patrocinios e depende exclusivamente da venda de bilhetes e aluguer dos espaços para restauração e comércio no recinto."

O Boom Festival é um evento "multidisciplinar" e em cada edição bianual são convidados cerca de 900 artistas de música, teatro, artes plásticas e performativas.

Apesar da música ser bem diferente, as dificuldades são semelhantes às do festival de Jazz, na cidade francesa de Vienne. Anualmente, durante 16 dias, a cidade no sudeste do país acolhe cerca de 200 mil espectadores e mais de 200 grupos de jazz.

Com apenas 17% de financiamento público, o adiamento da 40ª edição obrigou a que grande parte dos trabalhadores permanentes tivesse ido para casa em regime de layoff.

O diretor artístico do Jazz à Vienne, Benjamin Tanguy lembra que tudo "gira à volta deste festival." "Há uma programação anual mas o equilíbrio orçamental da instituição pública provém deste festival, logo se há uma edição que não se realiza, é claro que há muita preocupação com o equilíbrio financeiro do festival."

Tanguy revela ainda que a melhor forma das pessoas apoiarem a continuidade do festival é, simplesmente, comprarem os bilhetes para a edição do próximo ano.

A Covid-19 acabou por ser uma dura aprendizagem para as organizações dos festivais que garantem já estar a trabalhar na edição do próximo ano tendo em mente um eventual cenário de pandemia.