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Nascer em tempo de pandemia

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Nascer em tempo de pandemia
Direitos de autor  AFP
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Emilia abre os olhos para o mundo, pela primeira vez. À sua espera, o olhar reconfortante da mãe, exausta, mas feliz, mas não o do pai. Em Itália as futuras mães estão impossibilitadas de ter, ao seu lado, o companheiro, e estes não podem ver nascer os seus filhos. Procuram evitar-se infeções cruzadas, em tempos de Pandemia de Covid-19.

Apesar destes constrangimentos, um hospital em Génova encontrou uma solução para tornar mais fácil todo o processo. Durante o parto o casal pode comunicar por videochamada.

Pietro Gustavino, responsável pelo serviço de obstetrícia do hospital de San Martino, diz que esta foi a forma encontrada para trazer algo de positivo a um momento que devia ser apenas de felicidade.

"Tínhamos a obrigação moral, profundamente humana, de deixar as pessoas viverem, mesmo nestes tempos, aquele milagre extraordinário do, nascimento", diz este médico que com 30 anos de carreira assume ter dificuldade em habituar-se às mudanças provocadas pelo novo coronavírus.

Elisa e Daniele vivem num apartamento à beira-mar, perto do centro da cidade de Génova. Tinham já um filho, Giacomo, de 8 anos, agora têm outro, a recém-nascida Bianca.

Elisa teve que ser submetida a uma cesariana, o que fez com que o pai não estivesse autorizado a permanecer ao seu lado, e não por se tratar de um período de exceção. Mas foi em tempo de pandemia que o hospital resolveu alterar as regras. Os pais continuam a não poder entrar na sala de operações mas podem, também aqui, comunicar por videochamada.

Daniele explica que o vírus e a epidemia lhes tirou muitas possibilidades mas que acabou por ser, parcialmente, recompensado pela oportunidade de estar presente num evento excecional: o nascimento do seu filho.

Para Elisa foi importante ver o seu companheiro no ecrã. Diz que se sentiu comovida no momento em que ele ouviu a Bianca chorar.

Daniele foi chamado momentos antes de a bebé nascer e chorar, pela primeira vez.