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Espanha tenta travar Covid-19 em lares

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Espanha tenta travar Covid-19 em lares
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D. R.
Cesarea Andrés e Alfonso ArizaD. R.

Alfonso Ariza e Cesarea Andrés viveram 56 anos juntos. Quando ela foi diagnosticada com Alzheimer, mudaram-se os dois para o lar onde morreram, em Espanha. Ele tinha 87 anos, ela menos dois. Foram vítimas do novo coronavírus.

A família viveu dias de angústia e ansiedade, sem conseguir ter notícias sobre a saúde o casal.

Almudena Ariza e as irmãs dizem ter recebido um contacto frio de um responsável do lar com a informação de que os pais iriam ser sedados. Morreram sozinhos, sem cuidados médicos adequados ou conforto familiar.

Almudena lembra que o pai já tinha passado pela guerra civil espanhola e por 40 anos de ditadura. "Merecia melhor sorte" do que ver-lhe "negado o direito a assistência hospitalar". "Não mereciam morrer assim", acrescenta.

Alfonso e Cesarea fazem parte dos seis mil residentes em lares que morreram em Madrid com Covid-19. Uma história que se conta entre alegações de maus tratos, negligência e abandono. A situação forçou a intervenção da Unidade de Emergência Militar em muitas casas de repouso por toda a Espanha.

Carmen Flores, provedora da associação de utentes, lembra o caso dos sete corpos abandonados num lar que deixou muitas perguntas sem resposta e que "parece tirado de um filme de terror".

A falta de equipamento de proteção e de protocolos para a Covid-19 durante o confinamento é apontada como a principal causa em Espanha para o contágio em lares.

Para travar o vírus, o governo espanhol criou um novo plano.

Jaime Velásquez, jornalista da Euronews em Madrid, visitou um hotel agora convertido em residência sénior para utentes sem Covid-19. Instalações preparadas para receber 200 pessoas. Uma oportunidade de ficarem mais longe dos focos de contágio.

O hotel foi equipado com pessoal especializado. São mais 35 trabalhadores, diz Marina Cendrero. A coordenadora do apoio no hotel sublinha que o estabelecimento ainda tem apenas 12 residentes, o que proporciona uma assistência muito dedicada. Querem provar que é possível fazer um trabalho com qualidade.

D.R.
Juan e Mari Ángeles RegueroD.R.

Juan e Mari Ángeles foram instalados numa suite com vista, mas nem isso os faz esquecer os companheiros que perderam nas últimas semanas.

Três amigos de Juan Reguero morreram no lar. Um outro esteve em estado muito crítico de tal forma que pensou não escapar. Finalmente teve alta.

Para os mais velhos parece haver agora um desejo principal: que os dias do coronavírus acabem.

Maria Rivas Arroyo, outra residente do hotel, já sabe o que vai fazer quando esse dia chegar: ir até à Plaza Mayor comer calamares e churros com chocolate. Mas primeiro quer ver e abraçar os netos.