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Desflorestação na Amazónia aumenta quase 64% em abril

Desflorestação na Amazónia aumenta quase 64% em abril
Direitos de autor  Leo Correa/AP Photo   -   Leo Correa
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A desflorestação ilegal na Amazónia aumentou em 63,75% no mês de abril face ao mesmo período de 2019, avançou hoje o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil.

As informações das imagens obtidas em tempo real pelo sistema Deter-B indicaram que durante o mês de abril foram emitidos sinais de alerta em 405,6 quilómetros quadrados nos estados da chamada Amazónia Legal, que inclui o Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.

O aumento da desflorestação na Amazónia coincide com o período de adoção de medidas de isolamento social, quarentena e, em alguns casos, de confinamento total, como em Belém e São Luís, capitais dos estados do Pará e Maranhão, respetivamente, para conter a disseminação do novo coronavírus.

O recorde de desflorestação na Amazónia para o mês de abril foi alcançado em 2018, com 489,5 quilómetros quadrados de área florestal abatida.

O estado a registar maior desflorestação no mês passado foi o Mato Grosso, com 144,58 quilómetros quadrado, equivalente a cerca de 35% do total.

De acordo com a amostra do sistema Deter-B, 96% da área que sofreu desflorestação teve perda de cobertura de vegetação, apenas 2% manteve, e 1,3% teve registo de atividades de mineração.

Na quinta-feira, o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, autorizou o envio das Forças Armadas para diferentes estados do país para combater a desflorestação e evitar incêndios na Amazónia brasileira.

O decreto com a autorização foi publicado em Diário Oficial da União e, por enquanto, limita a ação do Exército entre 11 de maio e 10 de junho, para combater a destruição da floresta Amazónia.

As Forças Armadas poderão atuar em regiões fronteiriças, terras indígenas e em unidades federais de conservação ambiental dos estados da Amazónia Legal.

A Amazónia brasileira foi fortemente ameaçada no ano passado pelos incêndios que fustigaram a região entre junho e agosto e obrigou o Governo a enviar as Forças Armadas para ajudar a controlar os fogos.

As imagens dos incêndios a destruir enormes extensões de vegetação circularam ao redor do mundo e causaram uma onda de indignação entre a comunidade internacional e organizações não-governamentais, que acusaram Jair Bolsonaro de ter uma retórica anti-ambiental.