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"Estado da União": Corrida para ter a vacina contra a Covid-19

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"Estado da União": Corrida para ter a vacina contra a Covid-19
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A economia vai contrair-se em 7,4%, em 2020, na média dos países da União Europeia, anunciou a Comissão Europeia, esta semana, nas previsões económicas da primavera.

A rapidez com que a economia de cada Estado-membro vai recuperar depende, em grande medida, da evolução da pandemia. Os governos terão que traçar um equilíbrio difícil entre relançar a atividade económica e proteger a saúde dos cidadãos.

Mas a verdade é que esta situação não mudará até que exista um tratamento e uma vacina que derrotem de vez a pandemia da Covid-19.

A Comissão Europeia lançou uma "maratona de doações", esta semana, organizando uma conferência para aumentar o financiamento da investigação científica, tendo conseguido promessas no valor de 7,4 mil milhões de euros.

Este é o tema em destaque no programa, que conta com uma entrevista a Ashish Jha, diretor do Instituto de Investigação em Saúde Global de Harvard (IISGH).

Stefan Grobe/euronews: Na conferência de doadores, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson disse que "quanto mais trocarmos informações, mais rapidamente os cientistas terão sucesso" no desenvolvimento e produção em massa de uma vacina. Num espírito de cooperação internacional, a que distância estamos de uma vacina da qual todas as pessoas poderiam beneficiar?

Ashish Jha/diretor do IISGH: É um pergunta muito boa e a resposta é que não sabemos ao certo porque nunca desenvolvemos uma vacina contra o coronavírus que pudesse ser usada em seres humanos e, portanto, é um desafio avassalador. Mas existe, efetivamente, um esforço científico sem precedentes e penso que há uma boa probabilidade de termos uma vacina já no próximo ano.

Stefan Grobe/euronews: Quais são os maiores desafios para governos e cientistas?

Ashish Jha/diretor do IISGH: Estamos a fazer muitas, muitas experiências diferentes. Há outro desafio científico que é garantir que a vacina seja segura, porque estamos a trabalhar rapidamente, saltando etapas que, habitualmente, cumpríamos para garantir a segurança. A tragédia seria desenvolver uma vacina que se revelasse prejudicial. Para os governos, o grande desafio é investir os recursos necessários para que possamos ampliar a produção e a distribuição da vacina.

Stefan Grobe/euronews: Ainda não sabemos muito sobre este vírus, nomeadamente porque é que há países severamente atingidos e outros países vizinhos com muito menor impacto. Há exemplos disso todas as regiões do globo. Quais são as razões que o explicam?

Ashish Jha/diretor do IISGH: Ainda é muito cedo para compreender. Se pensarmos que esta pandemia demorará 18 meses, estamos ainda no quarto ou quinto mês. Portanto, não tenho motivos para pensar que, daqui a seis ou doze meses, os mesmos países que até agora foram poupados ainda se encontrem nessa situação. Penso que a desigualdade pode ser causada por muitas coisas. Sabemos que há eventos de super disseminação que se devem ao contexto específico de um local e que podem alimentar grandes surtos. Por exemplo, o Irão poder ter tido alguns eventos que levaram à super disseminação, mas isso não aconteceu no vizinho Iraque. Também é provável que o Irão tenha recebido muito mais infetados vindos da China do que o Iraque. Portanto, existem dois países vizinhos com surtos de dimensões muito diferentes.