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Protestos na Europa contra restrições ligadas à Covid-19

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Protestos na Europa contra restrições ligadas à Covid-19
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Com o Reino Unido ainda numa fase crítica da pandemia de coronavírus, dezenas de manifestantes desafiaram as autoridades em Londres e noutras cidades britânicas para protestar contra as restrições ligadas à crise da covid-19. Houve várias detenções.

Quanto ao vírus, registaram-se mais 468 óbitos, são já mais de 34 mil mortes relacionadas com a Covid-19 no Reino.

Em Milão, alguns proprietários de restaurantes manifestaram-se contra as medidas restritivas impostas pelas autoridades. Alguns dizem que não vão conseguir reabrir. "Na segunda-feira não vamos reabrir porque eu apenas posso trabalhar com seis lugares e nós somos seis pessoas a trabalhar no restaurante. Pelo menos podemos jogar futebol de cinco. O sistema de entregas não é compatível com as nossas cozinhas. É difícil compreender o que se pode fazer e o que não se pode", diz Fabio Zanetello, dono de um restaurante.

Protestos na Alemanha

Na Alemanha, protestos em todo o país contra restrições impostas pelas autoridades por causa do coronavírus - Munique, Estugarda, Berlim, Frankfurt, Hamburgo, Colónia.

Nalguns casos, grupos de extrema-direita estiveram presentes, o que originou contramanifestações de militantes de esquerda.

Os protestos contra o confinamento na Alemanha começaram em meados de abril, mas de lá para cá têm contado com um número crescente de participantes e uma presença cada vez maior de extremistas de direita e de esquerda, que está a preocupar as autoridades.

Em Estugarda (sudoeste), a câmara municipal tinha autorizado uma manifestação de até 5.000 pessoas numa praça, mas muitas mais juntaram-se ao protesto, levando a polícia a repelir parte delas para as ruas adjacentes, segundo indicou a própria polícia no Twitter.

Em Frankfurt (oeste), cerca de 1.500 pessoas participaram no protesto, a que acorreram outros tantos contra manifestantes, gritando “fora nazis!”.

Em Munique (sul), cerca de mil manifestantes, o máximo autorizado, juntou-se num parque onde costuma realizar-se a Festa da Cerveja, e “numerosas pessoas” juntaram-se “sem respeitar a distância de segurança”, segundo a polícia, que disse ter intervindo para desmobilizar os manifestantes.

Ao todo, houve protestos numa dezena de cidades da Alemanha, com a participação, cada uma, de centenas de pessoas: em vários locais de Berlim, mas também em Bremen (norte), Nuremberga (sul), Leipzig (leste) e Dortmund (oeste), entre outras.

Segundo a imprensa alemã, estes protestos juntam ativistas dos direitos cívicos, mas também extremistas de direita e de esquerda e apoiantes de teorias da conspiração ou dos movimentos anti-vacinas, que contestam o uso obrigatório de máscara e as restrições à liberdade de movimento.

O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) declarou o seu apoio a estes protestos.

No entanto, cerca de um em cada quatro alemães diz compreender as manifestações, segundo uma sondagem do instituto Civey.

O chefe do governo regional da Baviera, Markus Söder, considerado um potencial sucessor da chanceler Angela Merkel, apelou aos políticos que não cometam, face a estas manifestações, “o mesmo erro que cometeram com o Pegida”, o movimento de protesto de extrema-direita surgido em 2014 em Dresden (leste), que deu origem a um aumento dos ataques contra imigrantes e impulsionou a popularidade da AfD, atualmente a principal força da oposição na câmara baixa do parlamento alemão.

Protestos destes “constituem um reservatório no qual antissemitas, conspiracionistas e negacionistas se podem encontrar”, advertiu por seu turno o comissário do governo para a luta contra o antissemitismo, Felix Klein.

Entre os que criticam estes protestos, vários alemães recorrem às redes sociais para denunciar os riscos de “covidiotas” provocarem uma segunda vaga de infeções, obrigando a novas restrições.

A Alemanha é o quinto país da Europa com mais casos de infeção pelo coronavírus, depois da Rússia, Espanha, Reino Unido, e Itália, mas regista uma taxa de mortalidade mais baixa que esses países.

Dos 173.152 casos de infeção registados até agora, mais de 150 mil doentes recuperaram e 7.824 morreram, segundo números oficiais de sexta-feira.