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UE apresenta estratégia agrícola "Do prado para o prato"

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UE apresenta estratégia agrícola "Do prado para o prato"
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Com o sonho de produzir alimentos sem químicos para a cidade da Lovaina, Tom Troonbeeckx criou a primeira quinta de base comunitária da Bélgica, há mais de uma década.

Atualmente, 700 pessoas pagam 330 euros, por ano, para poderem colher diretamente os legumes e receber embalagens de carne e de farinha da cooperativa BoerenCompagnie, que Tom administra com outros dois agricultores.

A expansão deste modelo é possível a toda a escala europeia sob certas condições, disse o agricultor, em entrevista à euronews: "Eu não gosto de subsídios e acho que devemos fazer refletir o custo real da produção dos alimentos no preço final dos alimentos. Os alimentos biológicos passariam a ser vistos como mais baratos em comparação com a produção tradicional e mais pessoas optariam para alimentos biológicos".

"Talvez alguns subsídios sejam necessários porque estamos numa situação muito má em termos da agricultura em geral e deviam ser usados para a inovação e para atrair novos agricultores", acrescentou.

Alocar 25% das terras aráveis da União Europeia para a agricultura biológica é uma das metas da estratégia agrícola "Do Prado para o Prato", para implementar até 2030. As outras visam reduzir o uso de químicos na produção de alimentos, nomeadamente:

  • Redução em 50% do uso e risco de pesticidas
  • Redução de pelo menos 20% da utilização de fertilizantes
  • Redução de 50% nas vendas de antibióticos utilizados para animais de criação e aquicultura

Maior resiliência a que preço?

A Comissão Europeia avançou com a estratégia, quarta-feira, no âmbito do Pacto Ecológico Europeu, que visa criar uma economia ambientalmente sustentável, mesmo em tempos de recessão.

"Acreditamos que, neste período em que o mundo que enfrenta uma pandemia, também devemos pensar em como aumentar a nossa resiliência e em como traduzir na prática o desejo das pessoas de cuidarem mais de sua saúde, através de projetos e planos concretos. Portanto, nesse contexto, as estratégias para a biodiversidade e exploração agrícola são um elemento central do plano de recuperação da União Europeia", explicou Frans Timmermans, vice-presidente executivo da Comissão Europeia.

Os agentes da indústria agrícola consideram que esses novos requisitos adicionarão mais pressão num momento em que estão preocupados com os eventuais cortes nos fundos da Política Agrícola Comum para 2021-2027.

"É realmente importante que o Parlamento Europeu e os Estados-membros, reunidos em Conselho, reflitam sobre quais são as expetativas dos consumidores e como reagirão por terem de pagar mais caro pelos alimentos devido a estes requisitos adicionais que aumentam os custos para a agricultura europeia", alertou Pekka Pesonnen, secretário-geral da COPA-COGECA, uma associação europeia de agricultores e cooperativas de agropecuária.

"Também devem levar em conta, em particular, que a pandemia da Covid-19 teve um impacto traumático nas economias europeias e isso significa que, muito provavelmente, veremos um declínio do nosso poder de compra", disse ainda.

O executivo comunitário também apresentou a Estratégia da Biodiversidade, que visa ter 30% das terras e mares europeus classificados como áreas protegidas até 2030.