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Falta de antirretrovirais em Angola “é um problema real” - ONUSIDA

Falta de antirretrovirais em Angola “é um problema real” - ONUSIDA
Direitos de autor John Locher/Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved.
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De  euronews com LUSA
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O representante da ONUSIDA em Angola, Michel Kouakou, disse esta quarta-feira, à Agência Lusa, que a questão da rotura de "stock" de antirretrovirais de segunda linha no país "é um problema real", mas garantiu que a organização e Governo angolano trabalham para resolução.

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O representante da ONUSIDA em Angola, Michel Kouakou, disse esta quarta-feira, à Agência Lusa, que a questão da rotura de "stock" de antirretrovirais de segunda linha no país "é um problema real", mas garantiu que a organização e Governo angolano trabalham para resolução.

"É um problema real, obviamente como ONUSIDA temos que trabalhar em coordenação com outras agências, porque quando se trata de tratamento a responsabilidade é da Organização Mundial da Saúde (OMS), então trabalhamos com a OMS para poder tornar isso efetivo", afirmou hoje em declarações à Lusa.

O Fundo Global é atualmente responsável pela aquisição de 30% de fármacos e testes de VIH em Angola e o Governo angolano adquire os restantes 70%, segundo Michel Kouakou.

Para o representante da ONUSIDA em Angola, o "encerramento de fronteiras e o cancelamento de voos, devido à Covid-19", concorreram para a atual situação de carência de antirretrovirais de segunda linha no país.

Neste período de pandemia, "que apareceu sem avisar ninguém, os atos mudaram, todo o mundo ficou preocupado e o Governo angolano tomou a medida certa para conter a propagação,".

"Com os voos suspensos, as encomendas não chegaram a tempo, então isso explica em parte essas medidas, mas outra medida salutar que foi tomada em finais de março e início de abril era dar três meses de medicação às pessoas vivendo", realçou.

Então, observou, "o perigo é a partir agora em finais de junho, obviamente que é complicado fazer uma pesquisa para saber quantas pessoas estão nesta situação sem acesso aos medicamentos de segunda linha".

"Mas, mesmo se for uma ou dez pessoas já é uma preocupação", notou.

A problemática da rotura de "stock" de antirretrovirais, sobretudo de segunda linha, em Angola foi apresentada na quinta-feira passada pela Anaso, que em carta aberta enviada à Lusa, onde alertava que a situação "poderá se alargar" para os fármacos de primeira linha.

Em reação, o Governo angolano de conta que a rotura de "stock" de antirretrovirais no país, "decorre da conjuntura internacional, devido à covid-19", garantindo que "tudo está a ser feito para que esses medicamentos não faltem doentes".

"Quanto aos antirretrovirais dizemos que é um desafio por esta altura, não só em Angola, mas é um desafio mundial, Angola tem reforçado também o seu stock, tem feito o seu melhor, mas há sempre um ou outro fármaco em que há uma dificuldade", afirmou a ministra da Saúde angolana, Sílvia Lutucuta, na sexta-feira passada.

Michel Kouakou assinala que "várias ações estão em curso para resolver a situação o mais breve possível", garantindo que há disposição dos responsáveis regionais e mundiais da ONUSIDA "em apoiar o Governo angolano a partir das alternativas que vier a sugerir".

"Felizmente os voos devem retomar a 30 de junho e acreditamos que nos próximos dias esse problema seja superado", frisou.

Em relação à pretensão de protestos públicos de pessoas vivendo com o VIH/Sida sobre a carência de antirretrovirais, anunciada hoje pela Anaso, o responsável da ONUSIDA no país sublinhou que "manifestar é um direito humano".

"Sei que a Anaso tem recebido essas preocupações e quando eles chegam entramos em contacto com o Ministério da Saúde para encontrar soluções porque realmente tecnicamente a rotura de stock não quer dizer que não há mais", apontou.

Mas, explicou, "não há o suficiente para abastecer todos, então ainda acredito que existe o mínimo para acudir algumas pessoas".

Segundo estatísticas da Anaso, Angola conta com cerca de 350 000 pessoas vivendo com o VIH/Sida, das quais 930 00 estão a fazer terapia antirretroviral e destas cerca de 30% faz tratamento de segunda linha.

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