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Incêndio de Pedrógão Grande volta ao Parlamento esta quinta-feira

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Imagem da EN 236-1 após os incêndios que há três anos mataram 66 pessoas em Portugal
Imagem da EN 236-1 após os incêndios que há três anos mataram 66 pessoas em Portugal   -   Direitos de autor  AP Photo/Armando Franca
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O Partido Social-Democrata pediu esta quarta-feira, Dia Nacional em Memória das Vítimas dos Incêndios Florestais, a realização de um debate de atualidade nesta quinta-feira de manhã sobre os incêndios que há três anos ceifaram a vida a 66 pessoas.

"Pedrógão Grande, três anos depois" será o tema do debate, que ter presença obrigatória do Governo socialista, cujo primeiro mandato ficou marcado tragicamente pelas consequências do primeiro mega incêndio daquela magnitude registado na Europa.

Em declarações aos jornalistas, a deputada do PSD Cláudia André assumiu que a preocupação do partido nesse debate será saber o que foi e não foi feito pelo Governo nestes últimos três anos, sobretudo ao nível da floresta, tendo pedido a presença do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

"Foi um dia muito dramático para o nosso país e, durante os meses seguintes, foram assumidos muitos compromissos por parte do Governo. Queremos perceber passados três anos quais são os compromissos que foram correspondidos e porque não foram os que estão em falha", justificou.

Ao incêndio de Pedrógão Grande viria a seguir-se, quatro meses depois, um outro do mesmo género, reforçado pela passagem do furacão "Ophelia", a cerca de 50 km a norte, onde se perderam mais meia centena de vidas e com danos económicos muito superiores aos fogos de junho.

Planos do Governo contra incêndios

O ministro João Matos Fernandes apresentou terça-feira o novo Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais para o período de 2020-2030, com um investimento progressivo estimado em 500 milhões de euros, provenientes de fundos públicos e privados.

O ministro João Matos Fernandes apresentou terça-feira o novo Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais para o período de 2020-2030, com um investimento progressivo estimado em 500 milhões de euros, provenientes de fundos públicos e privados.

A verdade é que desde as primeiras semanas após os incêndios de Pedrógão, em 2017, muito dinheiro tem vindo a ser investido na região em diversos programas de apoio à recuperação da floresta e à recuperação do interesse turístico de uma região vítima há décadas do despovoamento e que viu mais algumas centenas de pessoas abandonarem por terem perdido muito ou por receio de novos incêndios.

Na sexta-feira, foi publicado o relatório do Observatório Técnico Independente criado pela Assembleia da República para avaliar o que foi feito na sequência dos fogos de Pedrógão Grande. As conclusões não foram boas.

"Houve passos dados desde 2017, mas um longo caminho está ainda por fazer, e o contexto de risco tende a agravar-se como resultado das mudanças na paisagem e das alterações climáticas em curso", lê-se nas conclusões do relatório, onde se pede mais ações de prevenção porque as "circunstâncias justificam que, três anos após 2017, o país não se possa sentir ainda satisfeito pelo quanto foi feito, mas antes que se concentre, com considerável e avisada humildade, no muito que está ainda por fazer."

Missa pelas vítimas dos incêndios de 2017

Esta quarta-feira, o Presidente da República Portuguesa regressou uma vez mais à região afetada pelos incêndios de junho de 2017 para participar numa missa em memória das vítimas.

Marcelo rebelo de Sousa salientou, aos jornalistas, as lições aprendidas com a tragédia, nomeadamente o "repensar de muitos aspetos da Proteção Civil" como "a capacidade de prevenção e de resposta relativamente ao futuro", mas deixou um aviso.

Isso nem sempre aconteceu, apesar dos esforços feitos e, portanto, temos de reconhecer que há muito mais a fazer, aqui em particular, pela coesão territorial, que é uma aposta de futuro.
Marcelo Rebelo de Sousa
Presidente da República Portuguesa

Para preparar o futuro, é contudo necessário regressar ao passado e rever as imagens daquele trágico junho de 2017.

O fogo deflagrou pouco depois do almoço, num sábado. Beneficiando de uma onda de calor e da longa seca que afetou a região, cresceu rapidamente, ganhou força, criou o próprio micro-clima com ventos imprevisíveis que o tornaram incontrolável, rápido e letal.

Foi o primeiro incêndio com aquela voracidade registado na Europa e foi definido pelo WWF como o primeiro de sexta-geração registado na Europa depois de um outro similar ter ocorrido meses antes no Chile.

O de Pedrógão durou uma semana. Além dos 66 mortos, fez ainda mais de 250 feridos e destruiu centenas de casas.

Houve quem tivesse de viver mais de um ano em tendas. Houve quem não resistisse e se mudasse, acentuando um novo título no espaço europeu, o de migrante climático.