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UE moderniza Europass para agilizar mercado de trabalho

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UE moderniza Europass para agilizar mercado de trabalho
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Teme-se que o desemprego na União Europeia possa duplicar no próximo ano, ficando acima dos 11%. Com os trabalhadores jovens e sazonais mais vulneráveis aos despedimentos, sobretudo num mercado de trabalho pós-covid-19, a Comissão Europeia está a lançar o novo Europass para ajudá-los a encontrar trabalho em qualquer parte do bloco comunitário.

O novo Europass

O Europass liga os candidatos a emprego e empregadores europeus em toda a União Europeia. Uma versão nova e melhorada foi lançada a 1 de julho.

O novo Europass visa simplificar e modernizar o Europass CV e outros instrumentos de qualificação na era digital.

Isto significa que os utilizadores podem criar um perfil pessoal na plataforma na internet para descrever as suas competências e a sua experiência de aprendizagem e de trabalho.

Os candidatos a emprego podem armazenar documentos relevantes na sua biblioteca pessoal online e manter um registo da aprendizagem e das candidaturas realizadas.

Têm também oportunidade de partilhar uma ligação do perfil eletrónico com empregadores, recrutadores e serviços de emprego, para receberem apoio e aconselhamento sobre as carreiras.

E podem ainda aceder a informações sobre formação e trabalho na Europa.

A maioria dos utilizadores do Europass encontra-se em Itália, Portugal, Roménia e Espanha.

Modernização para a era digital sem fronteiras

A Organização Internacional do Trabalho alertou para o grave impacto da pandemia sobre a chamada geração confinamento.

Para se adaptar ao impacto da tecnologia digital no mercado de trabalho e na procura de emprego, a União Europeia acaba de lançar uma nova versão do Europass, uma ferramenta que permite aos europeus apresentar competências e qualificações, para encontrar um emprego ou uma formação em toda a Europa.

Sami Roux está a formar-se para ser jardineiro paisagista e diz gostar do sistema.

“Acho que o CV Europass me pode ajudar a encontrar mais facilmente um emprego, especialmente na Alemanha, porque há mais procura no país. No CV, o empregador poderá ver imediatamente as competências validadas aqui pela empresa”.

De acordo com os centros de emprego, a mobilidade permite aos candidatos aceder a mais ofertas. É também uma experiência particularmente procurada pelos recrutadores.

Devido ao confinamento, Hugo Bregeras, estudante de engenharia química, não pôde estagiar na Alemanha e acabou por trabalhar em permacultura na própria região. A experiência - acredita - dá-lhe competências complementares que o vão fazer destacar-se.

“Desenvolvo competências transversais que são sempre valorizadas no mercado de trabalho: trabalho em equipa, saber resolver problemas. A mobilidade é muito importante e deve-se dar-lhe destaque nos currículos, porque isso faz a diferença. Todos os engenheiros falam inglês, daí ser importante falar outras línguas, se não torna-se difícil encontrar trabalho”.

A Organização Internacional do Trabalho revela que 1 em cada 6 jovens europeus perderam o emprego desde o início da epidemia. E os recém-chegados ao mercado de trabalho são diretamente afetados pelo congelamento das contratações.

Original de Metz, na Alemanha, Franziska queria trabalhar no estrangeiro. Acabou de conseguir um emprego na área dos recursos humanos, em França.

"Neste período da covid-19, foi muito difícil encontrar um emprego e tenho muita sorte em tê-lo encontrado. Consegui, porque o meu empregador me disse, mais tarde, que o CV estava muito bem feito, que apreciaram estarem destacadas as minhas competências", conta.

Em toda a Europa, os utilizadores do Europass podem agora procurar diretamente na plataforma formação ou emprego. Resta agora saber se vão surgir boas ofertas.

Nicolas Schmit: "Existe o risco de os jovens serem as maiores vítimas desta crise"

Com a pandemia a abrandar o mercado laboral, o comissario europeu do Emprego e os Direitos Sociais, Nicolas Schmit, falou com a Euronews sobre as ferramentas e oportunidades disponiveis na Uniao Europeia para fazer face à crise.

Efi Koutsokosta, Euronews: Temos uma plataforma completamente nova, um novo CV Europass. Quais são as novidades que apresenta? E como pode ajudar as pessoas as pessoas a encontrar trabalho onde quiserem na União Europeia?

Nicolas Schmit, comissário do Emprego e Direitos Sociais: Trata-se de um novo portal, muito digital, muito mais abrangente. É bastante fácil de usar onde estamos agora. E a crise também confirmou que o digital, sobretudo nesta era, está em todo o lado. Penso, que hoje, procurar um emprego, obter cursos de formação, deve ser feito por toda a Europa, porque estamos a promover a livre circulação de pessoas e há muitas oportunidades que podem não estar no país de origem, mas noutro sítio qualquer. As pessoas têm de ser capazes de procurar estas oportunidades. Mas também os empregadores que procuram pessoas com determinadas competências devem dar a possibilidade de obterem formação, de forma a ajudá-las a prosseguir melhor na carreira.

Não podemos construir uma recuperação com base no dumping salarial, na pobreza e negando a pessoas que muitas vezes fizeram os trabalhos mais difíceis durante esta crise o direito a salários decentes
Nicolas Schmit
Comissário europeu do Emprego e dos Direitos Sociais

E.K.: Aparentemente, os grupos mais afetados no mercado de trabalho são os trabalhadores mais jovens e os trabalhadores sazonais. Podemos falar de uma “geração confinamento”, em comparação à geração perdida da crise anterior?

N.S.: Eu diria que temos de evitar isso. Temos de fazer todos os possíveis para não termos uma “geração confinamento”, porque existe o risco de os jovens serem as maiores vítimas desta crise muito especial e única. Vemos que mais de metade dos que perderam o emprego em Espanha, por exemplo, são jovens com menos de 35 anos. Mesmo na Alemanha, o número de jovens que se registaram como desempregados está já acima dos 250 mil. Portanto, este é um grande risco e, por conseguinte, temos de reagir rapidamente.

E.K.: Pode ser mais concreto sobre as medidas? Mencionou, o salário mínimo. Sabemos que já existe uma proposta antes da crise. Não será altura de pressionar os estados membros a chegarem a acordo sobre este assunto, uma iniciativa a nível europeu?

N.S.: No final de setembro, início de outubro, a Comissão vai apresentar uma proposta. Não podemos construir uma recuperação com base no dumping salarial, na pobreza e negando a pessoas que muitas vezes fizeram os trabalhos mais difíceis durante esta crise o direito a salários decentes. Por isso, é realmente oportuno realizar este debate sobre salários na Europa e especificamente sobre salários mínimos, mas também sobre o direito de ter negociações coletivas. Penso que a negociação coletiva tem de ser promovida e reforçada onde apresenta fragilidades.