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Repovoar a "Espanha Vazia" com migrantes

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Repovoar a "Espanha Vazia" com migrantes
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Em alguns territórios quase desertos, conhecidos como a "Espanha Vazia", a densidade populacional é menor que a da Lapónia.

Mas uma cidade escondida nas planícies da província de Guadalajara constitue uma área residencial muito particular. Aqui vivem pessoas de cerca de vinte nacionalidades, de Itália à Coreia, passando pela Polónia ou pela Roménia.

O preço acessível fez com que Genoveva Merticariu, uma romena, escolhesse este lugar. E não se arrepende: "Quando fazemos uma festa estamos sempre todos juntos. Eu estou sempre com os vizinhos daqui do lado que são dos Camarões. Estamos sempre a fazer churrascos e a juntar-nos e a conversar".

Nesta miscelânea cultural, todas as pessoas com quem falámos destacam a boa convivência. Flor Chelwa veio dos Camarões e instalou-se aqui com o irmão há três anos. Sente-se em casa: "Há uma mulher espanhola a quem chamo mamã. Ela chama-me filha e eu chamo-lhe mamã. Ensinou-me a falar espanhol como o que estou a falar. É uma boa pessoa. Na verdade, os espanhois, pelo que tenho visto, são bons".

As ruas de Torre del Burgo, onde vivem cerca de 600 pessoas, estão normalmente vazias. Os residentes estão agradecidos aos imigrantes por aquilo que trazem:

“Vida à aldeia. O que te digo é, vida à aldeia", refere um homem.

Uma mulher, afirma: "Dá-nos alegria ver pessoas. Quando vemos uns chinesinhos ou uns pretinhos por aqui ficamos encantados".

Mas nem tudo é fácil. Os pais trabalham quase todos, mas muitos adolescentes não conseguem prosseguir os estudos.

“O problema é que se vão à escola e depois chegam a casa e não têm quem lhes ajude a fazer os deveres, o fracasso escolar está garantido, por onde quer que se veja a questão", sentencia o autarca de Torre del Burgo, Jose Carlos Moreno, enquanto pede apoio à autoridades regionais para tentar que as novas gerações tenham oportunidades.

O repórter da Euronews, Carlos Marlasca, refere: "Em diferentes regiões de Espanha estão a surgir iniciativas para repovoar zonas desabitadas com imigrantes. Este lugar é um bom exemplo. No início do ano era a povoação com maior número de estrangeiros de todo o país".