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A 5G pode fazer mal à saúde?

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A 5G pode fazer mal à saúde?
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A 5G está a tornar-se uma realidade. Todos falam sobre esta tecnologia e muitos têm medo por causa de potenciais efeitos na saúde.

Quem é a favor, contra e porquê?

No Unreported Europe fazemos um balanço da situação na Suíça, um dos países que está na vanguarda da implementação do 5G.

Receios sobre a nova tecnologia

Países de todo o mundo estão na corrida para instalar a 5ª geração de tecnologia sem fios. Mas agora que a 5G está a ser lançada, aumentam as dúvidas e perguntas das autoridades. O medo sobre os possíveis efeitos da radiação sem fios no corpo humano alimentou medos, provocou falsas notícias e dividiu a comunidade científica.

A Suíça está na vanguarda do lançamento da 5G com mais de 2 mil antenas construídas só no ano passado, mas a implementação está a abrandar. Em algumas regiões, parou completamente por causa das preocupações com a saúde.

Anna Frusciante vive em Nyon, nas margens do lago de Genebra. Como cerca de 10% da população suíça é electro-hipersensível. Esta síndrome custou-lhe o último emprego e obrigou-a a mudar de casa. Vive com a mãe há mais de um ano, mas está prestes a mudar outra vez. Está preocupada com os efeitos invisíveis da tecnologia.

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Anna FruscianteEuronews

"Em Abril de 2019 comecei a não conseguir dormir outra vez. Tive palpitações e passados três dias fiquei exausta. Então alguém me disse que havia uma antena 5G em Nyon. Olhei para o mapa e para o endereço e descobri que esta antena estava a 200 metros do meu quarto. (...) Voltei a pôr a minha cama no carro e voltei a dormir na floresta como antes, quando não sabia como me proteger".

A 5G foi lançada em 17 países da Europa, incluindo a Suíça, a Noruega e o Reino Unido. Mas a nova tecnologia está a ser testada em quase toda a Europa.

Na Suíça, 90% do território é coberto pela 5G tradicional , uma espécie de 4G melhorada. Protestos e restrições têm dificultado a verdadeira rede 5G, que conta atualmente com cerca de 300 antenas.

Christian Neuhaus, porta-voz da SWISSCOM lamenta as regras rigorosas aplicadas no país.

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CHRISTIAN NEUHAUSEuronews

"Para instalar a 5G plus, que é como chamamos à 5G em frequências de 3,5 Gigas, precisaremos na Suíça, entre os três operadores, de cerca de 26 mil novas antenas. Isto porque temos limites de radiação eletromagnética extremamente rigorosos, dez vezes superiores aos que OMS recomenda e que são aplicados pela maioria dos outros países".

Os limites internacionais também são motivo de controvérsia. Cada país escolhe o seu, seguindo as recomendações europeias. Mas será que as normas de exposição garantem a segurança das pessoas com radiações 5G? Não há uma resposta clara. Olivier Bodenmann, o fundador do movimento "Stop 5G", sublinha que a radiação na Suíça já é muito elevada e que vai aumentar com a 5G.

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Olivier BodenmannEuronews

"Os valores são bastante elevados. São mais de 3 Volts por metro, por vezes até 4. Há picos. Então o que vai acontecer com o 5G? (...)

O que nos preocupa é o aumento da potência. Atualmente, na Suíça, o limite é de até 5 ou 6 Volts por metro. Mas os operadores falam em 20".

A 5G levou os peritos a pedir mais tempo para a investigação. Daniel Favre está entre as centenas de cientistas que pensam que o princípio da precaução deve prevalecer.

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Daniel FavreEuronews

Assinou cartas que foram enviadas às Nações Unidas e à Comissão Europeia a pedir uma reavaliação dos efeitos da 5G sobre a saúde. Estuda os efeitos dos campos electromagnéticos nas abelhas.

Mostra-nos que quando os telefones estão ativos as colónias ficam perturbadas e que assim que os telefones são desligados as colónias voltam ao normal.

Enrico Stura é engenheiro especializado em biofísica molecular e estuda os efeitos dos campos electromagnéticos. Defende que a implementação da 5G com segurança para as pessoas e para o ambiente significa mais tempo para uma investigação independente e mais atenção aos milhares de artigos que já foram publicados. E lembra que "as ondas eletromagnéticas produzidas pelas telecomunicações pessoais durante períodos de tempo razoáveis, levam a danos no ADN demonstráveis e comprovados".

Ao contrário de Anna Frusciante, a maioria das pessoas não vai ter de deixar a tecnologia para trás para viver uma vida normal. Mais terá de esperar para ter respostas claras sobre os efeitos a longo prazo da tecnologia 5G.