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Profissionais de saúde franceses em greve

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Protesto em Rennes
Protesto em Rennes   -   Direitos de autor  DAMIEN MEYER/AFP or licensors
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Dizem que já não têm munições para lutar nesta guerra. "Estamos todos exaustos. Estamos à beira do esgotamento. Não estamos bem", afirmava um manifestante em Paris. Em alguns segundos resume-se o profundo mal-estar que os profissionais de saúde franceses há muito denunciam. Desta vez, vieram para a rua, num protesto nacional em forma de greve, esta quinta-feira.

"É horrível. Falta pessoal em todo o lado. Faltam recursos. Trabalhamos em condições deploráveis", explicava-nos uma participante. Com a segunda vaga da pandemia já instalada, médicos, enfermeiros, auxiliares vieram relembrar a falta crónica de investimento no setor e o intenso desgaste que se vive nos hospitais. Muitos já desistiram da missão que tinham.

"O meu corpo deu de si. Agora tenho de consertar a cabeça. Vi muitos colegas a ficarem doentes. E depois vem o governo dizer que confia em nós e que temos de voltar à luta. Eu já não volto", desabafava outro manifestante.

Três meses depois de uma mobilização sem precedentes, estes profissionais exigem contratações imediatas e massivas no setor, porque os números estão a acelerar muito rapidamente.

Para Bruno Megarbane, chefe da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Lariboisière, em Paris, "o problema é que, desta vez, a epidemia regressa no inverno. E é nessa altura que há muitos pacientes a serem hospitalizados por doenças crónicas, do foro respiratório ou problemas cardíacos, vírus sazonais, gripes. Habitualmente, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro o número de camas já está saturado, independentemente da Covid-19".

Em julho, o governo prometeu mais 4 mil camas, em caso de necessidade. Entretanto, já anunciou que a medida vai avançar em dezembro. Até março, irá haver aumentos salariais na ordem dos 180 euros brutos por mês. Nada que faça realmente baixar a pressão que, pelo contrário, não pára de aumentar.