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Pandemia apagou Bruxelas do mapa das conferências

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Pandemia apagou Bruxelas do mapa das conferências
Direitos de autor  JOHN THYS/AFP
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Logo a seguir à líder Singapura, na Ásia, Bruxelas (capital da Bélgica) era a cidade que acolhia mais conferências por ano.

Muitas delas decorriam perto do chamado bairro europeu, onde circulavam milhares de funcionários, políticos e diplomatas das instituições da União Europeia.

Com a pandemia de Covid-19, esse mercado passou para as plataformas na Internet.

O presidente da Associação de Hotéis de Bruxelas, Rodolphe Van Weyenbergh, disse à euronews, que "as consequências económicas no setor hoteleiro de Bruxelas são catastróficas. Apenas 10% dos quartos de hotel estão ocupados na capital e muitos hotéis estão fechados".

Tábua de salvação do governo não salvará no longo prazo

O setor colocava à disposição 15 mil quartos e tinha 12500 postos de trabalho associados.

O governo regional de Bruxelas anunciou uma série de medidas de apoio, com subvenções que oscilam entre os 200 mil e os 800 mil euros por hotel.

Embora as injeções de capital sejam uma tábua de salvação no curto prazo, a segunda vaga da pandemia indica que esta indústria terá de se reconverter para poder sobreviver.

"As pessoas deste setor estão a passar por um período extremamente difícil, embora seja muito difícil medir que impacto terá no longo prazo esta crise que se vive no chamado bairro europeu. As 50 mil pessoas que trabalham para as instituições internacionais sediadas em Bruxelas regressarão aos escritórios ao mesmo tempo? Talvez não", explicou Jeroen Roppe, porta-voz da agência pública "Visite Bruxelas".

"É obvio que teremos de adaptar a estratégia consoante o desfecho da crise e vamos falar com todas as partes interessadas, isto é, as instituições europeias, as autoridades do governo em Bruxelas, as instituições culturais, as associações comerciais", acrescentou.

Um modelo híbrido?

Não se sabe ainda até que ponto os eventos que agora decorrem através das plataformas na Internet se tornarão um hábito enraizado, mas dificilmente se voltará ao cenário anterior.

"Penso que os eventos deixarão de ser como eram e que se vai adotar um modelo mais híbrido. Os eventos serão de menor dimensão em termos de presença física, só terão os principais participantes na sala e haverá transmissão online para os restantes", refere Stuart Alford, diretor de uma empresa de eventos e comunicação.

"É um formato híbrido que, provavelmente, será melhor em termos de transparência. O evento terá alcance para lá das quatro paredes da sala de conferência. Também será melhor em termos de retorno do investimento feito pela Comissão Europeia quando organiza eventos porque poderá chegar a um público mais vasto através do evento híbrido que decorre nos planos presencial e digital", disse Stuart Alford.

Bruxelas já tinha conseguido recuperar do impacto negativo causado pelos atentados terroristas, em 2016, mas terá agora de reinventar a sua imagem como capital política da Europa.