Número de deslocados aumenta em Cabo Delgado, província moçambicana continua a ser alvo de ataques por grupos armados.
Na província moçambicana de Cabo Delgado três anos de ataques armados continuam a obrigar milhares de pessoas a partir. De acordo com a Organização Internacional das Migrações da ONU mais de 11 mil pessoas, muitas delas crianças e algumas mulheres grávidas, deixaram as suas casas nas últimas duas semanas em direção a Pemba, capital desta província.
Há histórias incríveis de fugas em pequenas embarcações que acabam à deriva durante vários dias, sem água ou alimentos. Há quem morra nesta travessia.
E há quem viaje por terra para escapar aos grupos armados jihadistas presentes na região. Uma deslocada explica que deixou Macomia quando estava grávida de sete meses "por causa da guerra". Escondeu-se no mato e esperou que os rebeldes partissem. Fez um longo caminho, "sem comida nem água", até Pemba.
Foi em Mocimboa da Praia que grupos radicais encontraram refúgio. O ministro do Interior admitia, há poucos dias, que a situação em Cabo Delgado continua complexa e que os assaltos, no norte da província, perpetrados por grupos considerados, pelo executivo moçambicano, terroristas, continuam.
*Dos deslocados à radicalização dos jovens moçambicanos*
Na semana passada, o primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, afirmava, perante o parlamento, que "as ações terroristas" já provocaram 435 mil deslocados internos.
Uma situação, de facto, grave e que passa pelo sistema Judicial. O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, admitia que foram lacunas no sistema de justiça que permitiram a libertação de alguns mentores dos ataques armados nesta província.
Já a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Teresa Ribeiro, alertava para um outro problema, a necessidade de encontrar alternativas nomeadamente emprego para os jovens para evitar a sua radicalização.
Quinta-feira, União Europeia e Portugal lançaram um projeto que tem como objetivo formar e dar emprego a jovens de Cabo Delgado. O +EMPREGO tem a duração de quatro anos e inclui formação profissional na área do gás natural a 800 jovens dos 15 aos 25 anos. O objetivo é conseguir que, pelo menos, metade deles consiga um emprego ou criem o seu próprio trabalho no final do projeto graças a parcerias público-privadas.
A importância estratégica de Cabo Delgado vem das suas reservas de gás natural, sob o oceano Índico. A partir de 2022 Moçambique deverá integrar, graças a elas, os 10 principais produtores mundiais. É a petrolífera francesa Total que lidera o projeto.