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Presidente angolano promove encontro com juventude

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De  Neusa Silva
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Presidente João Lourenço
Presidente João Lourenço   -   Direitos de autor  AMPE ROGÉRIO/ 2020 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
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Num encontro informal, jovens em representação da classe cultural, de partidos políticos, ativistas e representantes das mais variadas classes sociais apresentaram as suas preocupações ao presidente da República de Angola, João Lourenço.

Francisco Paciente, em representação dos taxistas, solicitou mais atenção para sua classe, alegando ser a mais excluída das políticas públicas.

Gaspar dos Santos, em representação da Juventude da UNITA, entre outras solicitações, apelou à rápida implementação das autarquias locais.

O humorista Santos Vulola solicitou ao presidente da República a revisão das taxas do sector cultural, alegando ser anormal que uma produtora de espetáculos pague o mesmo imposto que uma empresa como a UNITEL ou a Sonangol.

Os ativistas angolanos presentes no encontro com João Lourenço elogiaram a iniciativa de diálogo com os jovens, mas avisam que vão continuar a lutar para verem atendidas as suas reivindicações, não descartando futuras manifestações.

Nito Alves declarou que vai reunir-se com os seus colegas e chegar a um consenso para tomar uma decisão sobre o que fazer no futuro, considerando “haver pessoas do musseque, do subúrbio, sentando com o Presidente da República” o que demonstra “um passo extraordinário” na construção da democracia do país.

Sobre possíveis manifestações, o activista remeteu-se ao silêncio, afirmando apenas que as reivindicações são públicas: “Queremos pão, água, luz, saúde, educação, emprego e ter uma casa condigna.”

Francisco Teixeira, presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos e um dos 100 detidos da manifestação de 24 de outubro, afirmou ter acedido ao convite na qualidade de líder de um dos maiores movimentos de estudantes do país, que integra o Conselho Nacional da Juventude e também coorganizador do evento.

O dirigente do referido movimento destacou o empenho da presidência ao convidar ativistas cívicos para participarem no encontro, e considerou-os como sendo os motivadores da presente iniciativa.

“No fundo, fomos os responsáveis deste dia de hoje por causa da pressão de rua que fizemos nestes dois últimos atos”, afirmou, numa alusão às duas últimas tentativas de manifestação, duramente reprimidas pela polícia.

Francisco Teixeira disse que, mais do que as respostas que João Lourenço possa dar aos jovens “o mais importante é que as preocupações sejam atendidas”, apontando problemas como a precariedade do ensino publico, a mercantilização do ensino por parte de muitos dirigentes angolanos, a violação dos direitos das crianças e ainda o financiamento das escolas publicas.

O Presidente da República João Lourenço respondeu às preocupações colocadas pelos representantes de jovens de vários setores, reforçando que apesar da pandemia este é o melhor exercício para juventude manifestar as suas preocupações.

Aproximadamente 150 jovens da capital presenciaram este encontro que sucede a outros já realizados nas províncias do Soyo e Kuito, no interior de Angola.