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Morreu o ensaísta Eduardo Lourenço (1923 - 2020)

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De  Francisco Marques  & Lusa e Ricardo Figueira
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Eduardo Lourenço tinha 97 anos
Eduardo Lourenço tinha 97 anos   -   Direitos de autor  LUSA/ ANTÓNIO PEDRO SANTOS
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O ensaísta Eduardo Lourenço, de 97 anos, morreu hoje em Lisboa, confirmou à agência Lusa fonte da Presidência da República.

Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa.

Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, na Beira Baixa.

Entrevista à Euronews

Em janeiro de 2019, no âmbito de uma homenagem que recebeu na livraria Lello, no Porto, em Portugal, Eduardo Lourenço falou em exclusivo à Euronews.

Não sou um grande pensador, o mundo é que pensa e eu tento imaginar o que ele me está a dizer.

"O mundo já não tem aquela leitura tradicional que herdámos do século XIX, em que o livro era o começo, o princípio e o fim da nossa experiência com o mundo e com nós próprios.
Eduardo Lourenço
Entrevista à Euronews

O professor e filósofo dizia que "o livro fundamental é a Bíblia" e não acreditava que o livro sagrado da Igreja católica pudesse naufragar "mesmo numa civilização tão desapiedada, tão violenta internamente, tão pouco cheia de misericórdia como" a dos "tempos que correm".

Se a Bíblia é o último reduto da humanidade, será então que a religião tem um papel mais importante do que pensávamos, perguntou o jornalista Ricardo Figueira ao também Conselheiro de Estado.

"Todos nós, sem sabermos, ou não sabendo, ou pensando que não sabemos, somos seres religiosos. Seres que recebem a sua informação, a sua leitura do mundo, dessa coisa imaterial chamada livro. Chamada ensaio, conto, literatura", respondeu-nos Eduardo Lourenço.