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Poder húngaro abalado por escândalo com eurodeputado

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Poder húngaro abalado por escândalo com eurodeputado
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Um eurodeputado próximo do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban apanhado numa orgia gay em Bruxelas, em pleno confinamento. O escândalo teve o efeito de uma bomba na Hungria, alimentando a imaginação e o debate nas redes sociais, com a oposição a denunciar a hipocrisia do poder e das suas políticas anti-LGBT.

Um contraste profundo com os meios oficiais, que evitaram dar grande atenção à notícia, com excepção para uma breve declaração na imprensa, sem imagens, do eurodeputado József Szájer, no centro da polémica.

Ádám Magyar, euronews:"Depois das primeiras tentativas dos jornalistas para obter comentários, durante a manhã, a polícia estabeleceu um cordão à volta do escritório do primeiro-ministro, para que os jornalistas não conseguissem aceder aos ministros que saiam da reunião do governo."

Orban acabou por fazer finalmente referência ao escândalo ao fim da tarde desta quarta-feira, classificando como "inaceitáveis" as ações de Szájer. O primeiro-ministro lembrou, ainda assim, que o eurodeputado é um dos fundadores do partido conservador Fidesz e acrescentou que 30 anos de trabalho não serão esquecidos.

Szájer foi um dos responsáveis por várias emendas constitucionais restritivas na Hungria.

Para a comunidade homossexual do país, o escândalo é lamentável mas representa uma oportunidade de ouro.

Tamás Dombos, sociólogo, Aliança Húngara LGBT:"Há diferentes tipos de pessoas nas fileiras do Fidesz, tal como entre os seus eleitores. Não se podem desenhar linhas estritas, nem excluir pessoas da sociedade pelo facto da sua vida ou orientação sexual ser diferente da maioria. Esperamos que o governo perceba que essas pessoas também são parte integrante da sociedade e que não se pode espalhar o ódio contra elas."

À revelação do escândalo, seguiu-se o rápido anúncio da demissão do eurodeputado, o que significa que o partido governante na Hungria perde o mais importante político no Parlamento Europeu, pouco tempo depois do Fidesz ver suspendida a sua adesão ao Partido Popular Europeu.

Patrik Szicherle, analista, Political Capital:"Tudo aponta para uma direção: a capacidade de advocacia política do Fidesz diminui, o que é um resultado negativo para a Hungria."

Szájer anunciou também o abandono das fileiras do Fidesz e a saída de cena da vida política, mas na Bélgica continuará a ser alvo de uma investigação, nomeadamente pela violação das regras do confinamento.