A Euronews analisou os eventos de campanha do Fidesz, que está no governo há 16 anos, e do partido Tisza, que lidera atualmente várias sondagens de opinião.
Os políticos do Fidesz entraram em modo de campanha na Hungria. Na quarta-feira à noite, dois membros do governo, János Lázár, ministro da Construção, Investimento e Transportes, e o candidato local István Nagy, também ministro da Agricultura, realizaram um fórum público em Mosonmagyaróvár. A esmagadora maioria do público considera que o que está em jogo nas eleições é enorme: "Tudo mudou na Europa. As coisas estão a ir numa direção muito errada. E eu, pessoalmente, já não me sinto tão seguro como dantes", disse um elemento do público à Euronews.
O comício contou com a presença de algumas centenas de pessoas, incluindo dezenas de apoiantes da oposição, mas não houve confrontos entre os dois campos. Apesar de terem sido abordadas questões locais, o tema principal foi a Ucrânia. János Lázár afirmou que Kiev quer cortar o acesso da Hungria à energia russa barata e, a certa altura, chegou a dizer que a Ucrânia continuaria a ser uma zona de guerra nas próximas décadas: "Por vezes, haverá paz, por vezes tréguas, por vezes empurrões na fronteira de 1200 quilómetros. E os russos tentarão chegar a Kiev, claro, e sabe-se lá onde à volta de Kiev. E o Donbass e por aí fora. É isso que querem, vão tentar alargar as fronteiras mesmo depois do acordo de paz e mesmo depois do cessar-fogo", disse.
Segurança nacional no centro da campanha do Fidesz
Os ministros foram questionados sobre com que bases afirmam que a Ucrânia se prepara para atacar a Hungria, um membro da NATO. István Nagy diz que "é óbvio que existem relatórios dos serviços secretos que sustentam esta afirmação e é sempre melhor ter medo do que ser assustado. Por isso, temos de nos proteger para que não aconteça nada que possa ameaçar o fornecimento de energia ao povo húngaro".
János Lázár afirma que "com base em todas as informações relevantes para a segurança nacional, chegámos à conclusão de que o sistema de armazenamento, transmissão e rede de energia na Hungria tem de ser mais bem protegido do que tem sido até agora. Aumentámos o nível de proteção, foi isso que aconteceu. Trata-se, obviamente, de uma questão de segurança nacional, e toda a informação necessária para o efeito está disponível". Disse ainda que "muitas pessoas na Europa estão a tentar tranquilizar os ucranianos, mas infelizmente os ucranianos não se conseguem controlar".
O Fidesz está a construir a sua campanha com base em três políticos: János Lázár, Péter Szijjártó e Viktor Orbán, mas os eventos de campanha do primeiro-ministro não são públicos nem amplamente anunciados. A Euronews contactou o gabinete de imprensa do primeiro-ministro por telefone e por e-mail para saber onde é que Orbán iria fazer campanha nestes dias, mas não obtivemos resposta.
Péter Magyar diz que o governo usa a Ucrânia como distração
Péter Magyar, o principal adversário de Viktor Orbán, está a fazer uma digressão pública pelo país, aparecendo em três a cinco povoações por dia, juntamente com os candidatos locais do Tisza. Magyar diz que o Governo só fala da Ucrânia para desviar a atenção dos problemas do país.
"Não me ocupo de disparates. Estamos preocupados com a vida do povo húngaro, em salvar o sistema de saúde, em trazer para casa os fundos da UE, o que Viktor Orbán não fez. Medidas anticorrupção, pôr a Hungria a funcionar. Viktor Orbán fala de tudo menos da realidade. Ameaça os húngaros, incita-os, cria uma psicose de guerra. Em 45 dias, a Hungria vai acabar com isso", disse o líder da oposição à Euronews.
O slogan da campanha do Tisza é "agora ou nunca", o que ecoa os sentimentos dos eleitores da oposição, muitos dos quais acreditam que nunca houve uma oportunidade tão grande para derrubar o Fidesz.
Desde 2010 que as sondagens não dão tanta popularidade a um partido da oposição como dão agora ao Tisza. A magnitude do desafio que Viktor Orbán enfrenta é ilustrada pelo facto de Péter Magyar aparecer regularmente perante milhares de pessoas nas grandes cidades rurais.