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2020: uma extraordinária normalidade

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2020: uma extraordinária normalidade
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Uma das palavras que define 2020 é pandemia. Vem do grego pandemías que significa "todo o povo". Ocoronavírus alterou o dia-a-dia de toda a gente e mudou até a percepção geral sobre aquilo que é essencial. Ficam para a história as imagens de prateleiras vazias nos supermercados e de carros de compras cheios de papel higiénico,

Mark Lennihan/AP
Os mais velhos ficaram isolados durante mesesMark Lennihan/AP

O confinamento obrigatório trouxe a experiência da perda de liberdade à maioria da população. Os ecrãs confirmaram o estatuto de janela para o mundo; tornaram-se no meio privilegiado de contacto com o exterior.

2020 foi o ano da escola em casa, do escritório em casa, do exercício em casa. O ano do afecto remoto.

Nos lares de idosos, os mais velhos ficaram particularmente isolados. No início, foram proibidas as visitas. A pouco e pouco, foram sendo encontradas soluções para mitigar o isolamento.

O princípio da noite foi pretexto para um momento único de vida comunitária. Aplausos à janela aos profissionais de saúde, convertidos em heróis da batalha conta o vírus invisível.

DARRYL DYCK/AP
Os profissionais de saúde ganharam estatuto de heróisDARRYL DYCK/AP

De um dia para o outro, as máscaras cirurgicas passaram a máscaras de todos os dias. Na verdade, não foi de um dia para o outro. No ínicio, por serem poucas, foram reservadas aos profissionais de saúde. Nos idos de março, a Organização Mundial de Saúde não incluia as máscaras nas recomendações da chamada etiqueta respiratória. Hoje são instrumento barreira fundamental e o porte é obrigatório em praticamente todo o mundo.

Armando Franca/AP
Manifestações de trabalhadores da restauração e da noite em várias cidades europeias, incluindo LisboaArmando Franca/AP

Distanciamento social - uma outra expressão que vemos, ouvimos, lemos e não podemos ignorar.

Beijos e abraços estão reservados aos de casa. Já não se apertam as mãos. Foi preciso encontrar alternativas para os cumprimentos mais ou menos formais.

Uma mudança tão radical nos direitos, liberdades e garantias trouxe à rua muitas vozes de protesto. Negacionistas, que argumentam que o vírus não existe, teóricos da conspiração e movimentos contra vacinas ocuparam as ruas desde cedo.

As mesmas ruas que ficaram desertas. Os sucessivos confinamentos fizeram um rombo na economia; particularmente no comércio tradicional e mais ainda nas chamadas lojas não essenciais.

Cafés, bares, discotecas e espaços culturais estão entre os mais impactados, obrigados a fechar semanas a fio. Teme-se pela sobrevivência de todo um setor, mas também de milhões de famílias. Nas ruas, os trabalhadores da restauração multiplicam a frase do político: "deixem-nos trabalhar".

1 de janeiro de 2020. O que o mundo quer é poder voltar a festejar a passagem dos dias com a energia daquela passagem de ano. As vacinas podem por fim acabar com a extraordiária nomalidade.