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Dia triste para a história dos EUA: Apoiantes de Trump invadem Senado

Polícia expulsa manifestantes do Capitólio dos EUA
Polícia expulsa manifestantes do Capitólio dos EUA   -   Direitos de autor  AP Photo/Jacquelyn Martin
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Apoiantes do ainda presidente dos Estados Unidos,Donald Trump, invadiram o edifício do Congresso enquanto decorria a sessão de certificação formal do resultado das eleições presidenciais de novembro, ganhas pelo democrata Joe Biden.

As portas do edifício do Capitólio acabaram por ser encerradas, com os representantes eleitos lá dentro, e os trabalhos foram interrompidos. Uma mulher foi baleada no meio dos protestos dentro do Capitólio e acabaria por morrer.

Há diversas imagens de manifestantes dentro do edifício, na câmara dos senadores e até sentados no gabinete de Nancy Pelosi, a democrata que presidente à câmara baixa, a câmara dos Representantes.

A polícia de serviço no Capitólio teve de recorrer às armas para tentar travar os invasores.

AP Photo/J. Scott Applewhite
Agentes de segurança do capitólio tentam demover invasãoAP Photo/J. Scott Applewhite

A câmara de Washington decretou o recolher obrigatório a partir das 18h00, para tentar controlar a tensão nas ruas.

O dia começou com Donald Trump a reclamar uma vez mais a vitória nas presidenciais e a alegar fraude eleitoral dos Democratas, desejando que o vice-presidente Mike Pence conseguisse travar e até reverter o processo de certificação do triunfo de Joe Biden.

Trump pediu aos apoiantes para se dirigirem para o Capitólio e fazer ouvir a sua voz, em protesto contra a "fraude eleitoral", garantindo que “nunca” aceitaria a derrota nas eleições de 3 de novembro

Horas depois, milhares de apoiantes do ainda presidente dos Estados Unidos concentraram-se junto ao Capitólio, em Washington.

Os ânimos exaltaram-se, houve confrontos com as autoridades de serviço no capitólio e o inimaginável aconteceu: alguns conseguiram mesmo invadir e vandalizar a casa da democracia norte-americana.

AP Photo/Andrew Harnik
Polícia detém invasores junto da Câmara dos RepresentantesAP Photo/Andrew Harnik

Trump voltaria ao Twitter para de novo contestar o resultado das eleições e, então, acusar Pence de falta de coragem no que entendia ser a proteção da nação e da Constituição norte-americana.

De seguida, o ainda presidente apelou ao respeito pelos agentes da polícia do Capitólio e ao protesto pacífico de todos os apoiantes presentes no edifício do Congresso.

O vide-presidente estava dentro do Capitólio, de onde condenou "a violência e a destruição em curso". "Todos os envolvidos têm de respeitar os agentes da Lei e de imediato abandonar o edifício", escreveu Mike Pence.

O braço direito de Trump voltaria à rede social para manifestar que "o protesto pacífico é um direito de qualquer americano" e, na mesma publicação, garantir que "este ataque ao Capitólio não vai ser tolerado e todos os envolvidos vão ser acusados com toda a força da lei.

O presidente eleito fez depois uma declaração a partir do Delaware, onde se encontra a preparar a entrada na Casa Branca, apelando a Donald Trump para ir à televisão nacional pedir aos manifestantes para pararem o cerco ao Capitólio.

Joe Biden descreveu o que sucedia em Washington como um assalto sem precedentes à democracia norte-americana.

Pouco depois, numa declaração conjunta, Nancy Pelosi e o líder dos senadores democratas, Chuck Shumer, pediam também a Donald Trump para ordenar aos apoiantes o abandono imediato do Capitólio.

Numa mensagem vídeo gravada e partilhada pelo Twitter, o ainda presidente dos Estados Unidos voltou a falar do alegado roubo da eleição, elogiou os apoiantes, disse que eram "especiais" e pediu-lhes que fossem para casa, culpando os adversários pela violência ocorrida no Capitólio.

A rede social, uma vez mais, sinalizou a mensagem de Trump e bloqueou inclusive a possibilidade de ser comentada nem repartilhada devido ao risco de instigar mais violência.

Vários legisladores, incluindo republicanos, usaram as respetivas contas no Twitter para condenar a ação dos manifestantes, descritos por alguns como "terroristas", dizendo que não se vão deixar intimidar pela invasão nem pela exigência de que a contagem dos votos pelo Colégio Eleitoral seja rejeitada.

Alguns legisladores democratas estão a exigir a expulsão dos eleitos, como o senador republicano pelo Texas Ted Cruz, por "traição" e violação do juramento da Constituição ao incitarem os acontecimentos no Capitólio.

AP Photo/John Minchillo
Apoiantes de Trump invadindo o Capitólio dos EUAAP Photo/John Minchillo

Pouco antes das 18 horas locais (quase 23 horas em Lisboa), um alto responsável das forças da lei garantia que o Capitólio estava seguro e sob controlo.

Pelo menos 13 pessoas acabaram detidas pela polícia. Um número muito aquém das mais de 400 detidas no verão passada, durante os protestos pela morte de George Floyd.

Outras fontes • AP, AFP, Guardian e Washington Post