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Vacinação arranca em São Paulo em atrito com governo federal

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Uma profissional é vacina em São Paulo, Brasil
Uma profissional é vacina em São Paulo, Brasil   -   Direitos de autor  AP Photo/Carla Carniel
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A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, tornou-se este domingo na primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 no Brasi, sem ser no âmbito de um ensaio clínico, mas integrada no plano de vacinação oficial.

"Falo com segurança e propriedade, não tenham medo", afirmou a profissional de Saúde brasileira eleita para dar a cara pela administração da primeira dose da CoronaVac, uma das duas vacinas contra o SARS-CoV-2 já aprovadas para uso de emergência pela agência brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A decisão de se antecipar ao plano de vacinação federal traçado pelo governo liderado por Jair Bolsonaro, que pretende dar início ao plano de vacinação apenas na quarta-feira, agravou o atrito já existente entre o Governador paulista, João Doria, e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Quero dedicar este dia aos familiares dos 209 mil mortos com Covid-19 diariamente no Brasil.

"A vacina é uma lição para vocês, autoritários, que desprezam a vida, que não tem compaixão, que desprezaram a atenção, a dedicação e a necessidade de proteger os brasileiros.
João Doria
Governador do estado de São Paulo, Brasil

Mônica Calazans foi a primeira de 100 profissionais de saúde já vacinados com a CoronaVac este domingo no Hospital das Clínicas, onde uma operação está em curso para vacinar 30 mil funcionários.

Esta segunda-feira, a vacina desenvolvida na China será distribuída por seis outros hospitais e a vacinação prossegue com estatuto de emergência e restrita, para já, aos profissionais de saúde na linha da frente do combate à Covid-19. A seguir, serão os idosos com mais de 60 anos.

O governo paulista pretende ainda encerrar a polémica com o governo federal em relação à propriedade das vacinas, depois de o executivo ter feito marcha atrás em relação à oferta chinesa devido aos problemas de fornecimento da outra vacina já aprovada pela Anvisa, a da AstraZeneca/ Oxford, que deverá ser enviada da Índia, mas atrasou-se.

João Doria reclama o direito preferencial de São Paulo à CoronaVac, por ter investido 90 milhões de dólares na aquisição de 46 milhões de doses e a tecnologia para produzir o medicamento chinês no instituto Butantan.

Dos 6 milhões de doses da CoronVac em São Paulo, o governador prometeu enviar 4,6 milhões para distribuição noutros estados, mas o ministro Eduardo Pazuello reclama a posse de vacinas, de acordo com o contrato assinado no arranque do ano, e defende que cabe ao Governo federal dividir as doses.

O atrito agravou-se com a decisão paulista de avançar já com a vacinação à revelia do plano federal, que previa o arranque simultâneo da vacinação em todos os estados apenas na quarta-feira.

Entretanto, o ministro Eduado Pazuello parece ter revisto o plano e acaba de anunciar que a vacinação nacional começa já a partir desta segunda-feira.

Sobre a decisão de São Paulo, o ministro Eduardo Pazuello descreveu-a como uma "jogada de marketing".

O Ministério da Saúde tem em mãos as vacinas tanto do Butantan quanto da AstraZeneca e nós poderíamos, num ato simbólico ou numa jogada de marketing, iniciar a primeira dose numa pessoa, mas por respeito a todos os governadores, prefeitos e a todos os brasileiros, o Ministério da Saúde não o fará.

"Não faremos uma jogada de marketing.
Eduardo Pazuello
Ministro da Saúde do Brasil

O Ministério da Saúde do Brasil inicia esta segunda-feira a fase de distribuição das vacinas, com quase seis milhões de doses da CoronaVac a partir do Departamento de Logística de São Paulo, com recurso a aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e camiões de caixa refrigerada.

Algumas companhias aéreas civis brasileiras também irão ajudar o Governo federal com o transporte gratuito de vacinas para os estados apenas acessíveis em tempo útil por transporte aéreo.

Depois, cada governo estadual fará a distribuição pelos respetivos municípios em parceria com o Ministério da Defesa e seguindo o plano federal traçado.

Lavar as ruas em Manaus

O estado do Amazonas é uma vez mais um dos mais preocupantes no Brasil. Os hospitais estão saturados, a escassez de oxigénio levou familiares dos doentes Covid a comprarem eles próprios garrafas para ajudar os profissionais de saúde a gerir a crise.

No bairro de Betânia, da capital Manaus, tal como haviam feito em maio, no pico da primeira vaga da epidemia, os residentes voltaram a juntar-se para lavarem as ruas.

Há moradores que, querendo ou não, têm crianças (a brincar) aqui na rua e apesar de as pessoas terem de ficar na casa, é preciso sair para ir uma padaria ou a um supermercado, por isso acho muito importante a lavagem da rua."
Maria Cristina
Residente em Betânia, Manaus, Brasil

Este domingo, o estado do Amazonas anunciou mais 1.277 novas infeções e 68 mortes, agravando os casos estaduais ativos para 28.910 e os óbitos para 6.191.

Só no sábado, em Manaus apenas, foram realizados 102 funerais.

O Brasil contabiliza cerca de 8,5 milhões de casos confirmados e quase 210 mil mortos no quadro da epidemia do Ministério da Saúde.

Editor de vídeo • Francisco Marques

Outras fontes • Folha de São Paulo, Globo, Lusa