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Comissária Johansson quer respostas sobre escândalo Frontex

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De  Isabel Marques da Silva  & Darren McCaffrey
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Comissária Johansson quer respostas sobre escândalo Frontex
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A Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, conhecida pelo nome Frontex, está envolvida em escândalo e é objecto de uma investigação por parte do Serviço Europeu Anti-Fraude, que a Comissão Europeia espera que dê rapidamente esclarecimentos .

Há denúncias de alegadas irregularidades na forma como a Frontex recrutou pessoal e lidou com os requerentes de asilo. Os reenvios forçados de pessoas para os países de origem ou trânsito é uma das maiores polémicas, sobre a qual a euronews falou com a comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson.

Darren McCaffrey/euronews: Quando é que tomou conhecimento das alegações?

Ylva Johansson/comissária europeia dos Assuntos Internos: Foi através da imprensa e tive mais dados em novembro passado, se bem me lembro. Contactei imediatamente o diretor-executivo e pedi que me desse esclarecimentos. Mas foram surgindo mais questões e pedimos uma reunião extraordinária com o conselho de administração.

Darren McCaffrey/euronews: Pensa que a organização, em certo sentido, está a crescer demasiado rapidamente? Talvez fosse preciso desacelerar ou até interromper a ação da Frontex até que se resolvam os problemas e se coloquem as pessoas adequadas nos cargos?

Ylva Johansson/comissária europeia dos Assuntos Internos: Não penso que seja um problema de velocidade, penso tiveram o tempo necessário para recrutar as pessoas e criar as condições para o bom funcionamento. Não considero que seja justo dizer que não houve tempo suficiente para o fazer.

Darren McCaffrey/euronews: O que é que correu mal então, o que levou a estes erros?

Ylva Johansson/comissária europeia dos Assuntos Internos: Isso faz parte da discussão no âmbito do conselho de administração e penso que é a forma certa de se apurar o que se passa. Eu espero que o conselho de administração possa fazer algumas recomendações à administração da agência e ao seu diretor-executivo sobre como seguir em frente.

Darren McCaffrey/euronews: Mas se o relatório final demonstrar que as alegações são verdadeiras, certamente a posição do diretor-executivo passa a ser insustentável?

Ylva Johansson/comissária europeia dos Assuntos Internos: Tenho esperança de que não haja provas de que os agentes tenham participado nos reenvios forçados. Espero, efetivamente, que a Frontex não tenha participado nisso, mas é preciso que tudo seja esclarecido e que todas as perguntas tenham resposta.

Darren McCaffrey/euronews: Não será o facto da União Europeia ter uma linha dura sobre migração que levou a muitos destes problemas?

Ylva Johansson/comissária europeia dos Assuntos Internos: Eu não concordo de todo consigo. O que acabei de dizer é que precisamos de uma Frontex forte para proteger as nossas fronteiras e os nossos valores. E não há contradição nisso. Quando protegemos as fronteiras da União Europeia devemos fazê-lo com base nos nossos valores. Temos de manter o compromisso com os nossos valores em simultâneo com o dever de proteger as fronteiras. Isso é muito importante e é um das razões pelas quais realmente precisamos da Frontex.