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Sanções europeias contra Rússia dividem opiniões

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Sanções europeias contra Rússia dividem opiniões
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Há os desiludidos, os conformados e os cautelosos entre eurodeputados e analistas políticos ouvidos pela euronews sobre as novas sanções contra o regime russo.

Apenas funcionários e não oligarcas foram visados pela União Europeia nas medidas aprovadas, segunda-feira, em resposta à perseguição do opositor Alexei Navalny, o que desagrada a um conservador polaco.

"Analisando da perspetiva da Europa Central, parece uma piada. Porque estas sanções nem sequer são simbólicas. Apenas algumas pessoas ficam proibidas de viajar para a União Europeia. A maioria dessas pessoas nunca terá permissão do governo para viajar para a União Europeia porque são membros do partido ou membros do serviço de segurança russos, portanto, esta é uma penalização sem sentido imposto à Rússia", disse o eurodeputado Witold Jan Waszczykowski, da Polónia.

Outras vozes consideram que o caminho pode ser longo e que a União Europeia está a criar uma postura comum sobre Rússia.

O presidente Vladimir Putin sabe que vários Estados-membros têm diferentes interesses económicos e geopolíticos pelo que há que ter cautela, disse uma liberal francesa.

"Vladimir Putin é um jogador de xadrez, que avalia a situação e tenta dividir os Estados-membros da União Europeia. Mas quando ele sente que estamos unidos, geralmente mostra contenção. Logo, penso que demos um primeiro passo, mas devemos absolutamente pensar em ir mais longe", explicou a eurodeputada Nathalie Loiseau.

As sanções devem poder resistir a um julgamento em tribunal, sobretudo se forem contestadas pelos indivíduos russos em causa e por membros do governo ou do sistema de justiça criminal mais diretamente implicados nas decisões sobre Alexei Navalny.
Jamie Shea
Analista político, Amigos da Europa

A recente legislação comunitária que permite aprovar sanções por causa de violações de direitos humanos tem um alcance específico, que visa apenas os diretamente envolvidos nos abusos, realça um analista.

"As sanções devem poder resistir a um julgamento em tribunal, sobretudo se forem contestadas pelos indivíduos russos em causa e por membros do governo ou do sistema de justiça criminal mais diretamente implicados nas decisões sobre Alexei Navalny. Isso é melhor do que tentar atingir personalidades mais interessantes, mas que não estão sob a cadeia de comando. Portanto, a União Europeia tem de ter cuidado com esses casos", afirmou Jamie Shea, analista político no centro de estudos Amigos da Europa, em Bruxelas.

Esperam-se agora as reações do governo norte-americano, sendo que a União Europeia quer construir com o parceiro transatlântico uma frente mais unida nos desafios geopolíticos colocados por gigantes como a Rússia e a China.