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Bruxelas vai criar Cartão Europeu do Deficiente

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De  Isabel Marques da Silva  & Brian Carter
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Bruxelas vai criar Cartão Europeu do Deficiente
Direitos de autor  OLIVIER HOSLET/AFP or licensors
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Thierry Balint, de 56 anos, reside em Bruxelas e gosta de atividades ao ar livre, fotografia, cinema e museus. Apesar de ter nascido com deficiência intelectual e sofrer de epilepsia, é um membro ativo da sociedade e trabalha na administração pública há 20 anos.

Contudo, diz que as pessoas com sua condição ainda sofrem de discriminação e falta de acesso adequado a meios de transporte e serviços de educação e cultura.

“As coisas começam a mudar, mas é preciso fazer mais. Por exemplo, para termos acesso à cultura, seja nos museus, nos cinemas, nas exposições, as coisas deveriam melhorar, deveríamos ser mais bem recebidos”, disse Thierry Balint, em entrevista à euronews.

Estima-se que 87 milhões de pessoas na União Europeia vivam com algum tipo de deficiência. Embora a situação possa variar de um Estado-membro para outro, estão geralmente mais expostos à exclusão social, pobreza, doença e desemprego.

Estratégia para dez anos, com monitorização?

A Comissão Europeia apresentou, quarta-feira, uma estratégia para os Direitos das Pessoas com Deficiência, para aplicar nos próximos dez anos.

Visa reforçar a plena participação na sociedade, nomeadamente num melhor acesso à justiça, ao emprego, às eleições e a outros direitos garantidos aos cidadãos europeus.

“A Comissão Europeia irá propor a criação de um Cartão Europeu do Deficiente reconhecido por todos os Estados-membros, o que tornará mais fácil para as pessoas com deficiência fazerem uso do seu direito de circularem livremente”, explico Helena Dalli, Comissária Europeia para a Igualdade, em conferência de imprensa.

Um fórum europeu que defende os interesses de milhões de pessoas com deficiência considera que o progresso será lento se não houver meios efetivos para monitorizar os esforços feitos pelos governos.

“Se não tivermos esses indicadores, esses dados obtidos através de mecanismos de monitorização, não teremos aquilo que é necessário para conseguir progressos. Isto não quer dizer que os Estados- membros não estejam a fazer progressos, mas certamente não serão tão rápidos e eficientes quanto desejaríamos", realçou Gisèle Marlière, presidente da delegação belga do Fórum Europeu de Deficiência.

Isolamento causado pela pandemia

A Silex é uma organização não-governamental que organiza atividades sociais para pessoas com deficiência, em Bruxelas, e tem notado maiores dificuldades para esta parte da população desde a pandemia de Covid-19.

“Eles encontram-se numa situação de grave isolamento e solidão, porque não têm acesso a todos os meios de comunicação que as outras pessoas costumam usar para interagir, como as videoconferências, os telefonemas e coisas desse tipo”, afirmou o diretor, Gilles Bogarts, à euronews.

Como resultado, são maiores os riscos destas pessoas serem afetadas por alcoolismo, depressão e tendências suicidas.

O executivo comunitário realça que há medidas de financiamento específicas previstas no novo orçamento até 2027.