O primeiro-ministro português não se opõe à inclusão da Rússia na próxima cimeira do G20, alegando que faz sentido começar a dialogar com o país. Sobre a questão de que Espanha poderia ser afastada da NATO pelos EUA, a resposta foi apenas: “no comments”.
Luís Montenegro afirmou esta sexta-feira que não se opõe ao diálogo com a Rússia nem à sua participação na cimeira do G20, alegando que é necessário dialogar com Moscovo para resolver os conflitos nos quais o país está envolvido.
“Parece-me que a inclusão da Rússia na avaliação das grandes questões da geopolítica e das questões económicas e comerciais o mundo não é negativa. É preciso estabelecer diálogo com a Rússia para resolver os conflitos em que a Rússia está envolvida", afirmou o primeiro-ministro português em declarações aos jornalistas à margem da cimeira informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, em Chipre.
"Desse ponto de vista, como observador externo, Portugal não faz parte do G20, eu não tenho nenhum problema em vislumbrar aspetos positivos nessa inclusão", indicou.
A intervenção do líder português acontece depois de Donald Trump ter sugerido que Vladimir Putin pudesse participar na próxima cimeira do G20, que se realiza em Miami, em dezembro.
A marcar o dia está também a polémica a envolver Espanha e alegada vontade dos Estados Unidos de afastar o país da NATO. Um e-mail interno do Pentágono, ao qual a Reuters teve acesso, faz uma lista de punições para aliados da NATO que não apoiam as operações norte-americanas na guerra contra o Irão, sugerindo a expulsão do país da aliança. De recordar que a nação, liderada por Pedro Sanchez, opôs-se à utilização das suas bases militares para as operações relacionadas com o conflito no Irão.
Sobre o tema, Montenegro foi sucinto: "no comments".
Portugal não vai "pedinchar nada"
Aos jornalistas sobre os fundos europeus, Montenegro defendeu a posição portuguesa e garantiu uma forte oposição ao próximo orçamento da UE se este desrespeitar os princípios da política de coesão,
"Não podemos, de maneira nenhuma, descurar a politica de coesão e interromper um caminho de convergência que temos vindo trilhando e de que Portugal é um exemplo", com Luís Montenegro a destacar o crescimento económico português, "que supera a média da UE e da zona euro", e a redução da dívida pública do país.
Montenegro reforçou ainda que Portugal tem aplicado uma política migratória condizente com o Pacto de Migrações e Asilo da UE, assim como tem aplicado um plano de restruturação energético e um processo de simplificação e reforma do Estado, também em linha com que são as políticas europeias, pelo que, segundo o primeiro-ministro "não há nenhuma razão para que não tenhamos os recursos que ao nível da coesão".
O líder português reagia à proposta da Comissão Europeia, que, segundo fontes europeias, prejudica os países que beneficiam de fundos da coesão e cujo Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita é inferior à média europeia de 90%. De lembrar que o RNB de Portugal é de 76,5%.
"Há um caminho de convergência que ainda não trouxe Portugal acima dos 90% da média do rendimento nacional bruto, que é referencia que o tratado da União Europeia consagra", justifica Montenegro que garante, no entanto, que o percurso português "não pode ser posto em causa".
"Qualquer perspetiva que possa consagrar um desrespeito por esse princípio [da política de coesão], terá a nossa oposição firme e fundamentada. Não estamos aqui a reclamar nem a pedinchar nada, estamos aqui a ser parte ativa de um processo de afirmação do bloco", afirmou Luís Montenegro.