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Eurodeputados alertam para uma "descrença das capacidades" do 25 de Abril

Thousands march down Lisbon's main Liberdade Avenue celebrating the fiftieth anniversary of the Carnation Revolution, Thursday, April 25, 2024.
Thousands march down Lisbon's main Liberdade Avenue celebrating the fiftieth anniversary of the Carnation Revolution, Thursday, April 25, 2024. Direitos de autor  Copyright 2024 The Associated Press. All rights reserved
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De Inês Trindade Pereira
Publicado a Últimas notícias
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Que memória e lições ficam do 25 de Abril? Na véspera das celebrações da revolução dos cravos, a Euronews conversou com seis eurodeputados de todos os espetros políticos.

Com os olhos no passado e no futuro, os eurodeputados reconhecem a importância do 25 de abril num contexto nacional e europeu, apesar de alertarem para uma gradual perda do significado desta data à medida que as gerações evoluem.

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As atribuições são variadas, mas ao longo do espetro político parece existir um consenso: o representante do Chega no Parlamento Europeu reconhece uma "importância histórica" enquanto o representante do PCP considera um "momento absolutamente marcante".

Ainda assim, os eurodeputados acreditam que se está a passar por uma fase de "descrença das capacidades do 25 de Abril" e de uma "perda de consciência" da data, especialmente entre as novas gerações.

"Talvez estejamos todos a viver uma fase em que à nossa volta se instalou alguma descrença sobre a capacidade do 25 de Abril de cumprir os seus grandes objetivos, que eram a democracia materializada, mais do que a democracia apenas de valores," afirma Marta Temido, eurodeputada do grupo Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu.

"Em geral, talvez tenha havido uma perda de consciência das novas gerações que não viveram esse período e de como é viver sem as liberdades que nós damos por garantidas," acrescenta Ana Vasconcelos, eurodeputada do grupo Renew Europe/Iniciativa Liberal. "Talvez por aí haja uma consciência de que estas liberdades não se podem dar por garantidas ao vermos o que se passa nos Estados Unidos e outros países, como por exemplo, a Hungria, que acaba de reverter o poder que tem estado nas mãos de Órban e que tem tido impulsos bastante autoritários."

Para António Tânger Corrêa, eurodeputado do grupo Patriotas pela Europa/Chega, a explicação passa pela passagem natural do tempo: "as gerações que estão, neste momento, ativas no país não são gerações que tivessem vivido o 25 de Abril, portanto sabem do 25 de Abril por razões históricas, por razões sociais, por razões políticas, mas não viveram o 25 de Abril, o que obviamente é uma situação que vai tender a esbater-se com o correr do tempo."

Contudo, Paulo Cunha, eurodeputado do Partido Popular Europeu/PSD, alerta que o 25 de abril "nasceu para ser uma revolução permanente, constante, uma convocação quotidiana".

João Oliveira, deputado do PCP e eurodeputado pelo Grupo da Esquerda no Parlamento Europeu, olha para o futuro da data nas mãos da nova geração com um lado mais positivo.

"Eu diria que para as novas gerações há um desafio muito diferente, que é o de transportar para a realidade própria que vivem as novas gerações elementos, referências e valores que são importantes e continuam a ser importantes e, particularmente, dar a ideia de que nem tudo aquilo que conhecem foi sempre assim."

Pobreza: a "chaga" da Revolução dos Cravos

Apesar dos últimos 52 anos terem tido um "saldo francamente positivo", segundo Paulo Cunha, eurodeputado do Partido Popular Europeu, há lutas inacabadas que a Revolução começou.

A erradicação da pobreza é trazida para cima da mesa pelas eurodeputadas do PS e do Bloco de Esquerda.

"O que faria do 25 de Abril um 25 de Abril perfeito era o fim da pobreza. E nós sabemos que há em Portugal ainda demasiadas pessoas, haverá sempre demasiadas ainda que haja só um, a viver em situação de pobreza. E isso é uma chaga que tornará o 25 de Abril sempre imperfeito enquanto persistir," afirma Marta Temido.

Em 2025, cerca de 2,1 milhões de pessoas estavam em risco de pobreza ou exclusão social em Portugal, segundo o relatório da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN Portugal).

"É preciso que as pessoas saibam que estamos a construir, com a democracia e na União Europeia, um futuro em que os filhos podem viver melhor do que os pais e não esta promessa de retrocesso que tem sido feita. É preciso que a política esteja no lugar certo, que em vez de fazer todos os favores a um sistema económico que está a criar mais pobreza, mais desigualdades, mais frustração, impor as regras que nos permitem a todos a justa aspiração e a justa conquista de uma vida melhor," reinvidicou Catarina Martins, eurodeputada do grupo da Esquerda no Parlamento Europeu.

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