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Como avançam as obras em Fukushima

De  Laurence Alexandrowicz  & Serge Rombi
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Como avançam as obras em Fukushima
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Durante o tsunami de há dez anos, uma onda de 15 metros destruiu quatro dos seis reatores da central nuclear de Fukushima Daiichi, a norte de Tóquio. Desde a catástrofe, o governo e a Tepco, operadora do local, estão a liderar o desmantelamento da central que inclui a descontaminação, que deverá estar concluída em 30 a 40 anos.

A central tinha seis reatores, todos eles encerrados. Os reatores 5 e 6 foram poupados pela onda. O 4 foi esvaziado do combustível. Após o tsunami, a primeira fase foi parar os reactores e evitar novas emissões de radioatividade, despejando água nas instalações.

"O arrefecimento dos reatores foi o mais importante, por isso é que começámos com isso. E depois tivemos de tomar conta das piscinas de combustível", diz Takahiro Kimoto, da TEPCO.

A segunda fase consiste em remover o combustível presente nas piscinas do reator e demora mais 10 anos. No mês passado, a remoção de cerca de dois terços das varas de combustível dos reatores acidentados foi concluída com a utilização de robôs.

A terceira fase envolve a remoção de detritos: uma operação longa e delicada que terá lugar nos reatores 1, 2, e 3. Foi adiada devido à crise da Covid.

No local, 4000 a 5000 pessoas trabalham diariamente, muitas sem proteção, no esforço de descontaminação do local, mas não é este o caso nesta secção essencial, nas instalações ALPS. Esta inovação americana, especialmente criada para Fukushima, filtra a água contaminada.

Teruki Fukumatsu, da Toshiba Energy Systems, explica: "Aqui, o reator danificado contém combustível fundido e tem de ser arrefecido permanentemente, por isso deitamos água sobre ele. A água contaminada que sai é absorvida por uma bomba e é enviada para este sistema ALPS e a radiação é praticamente removida, exceto o trítio, para ser finalmente armazenada em tanques".

O trítio é uma parte radioativa da molécula da água, presente na natureza, explica Georg Steinhauser, da Universidade Leibniz de Hanôver, que visitou Fukushima três vezes: "O trítio não se acumula no corpo humano, porque tem uma meia-vida muito curta, é rapidamente eliminado pelo organismo. O trítio é geralmente o menor dos problemas".

A água tratada é então armazenada em mil tanques contendo 1,24 milhões de metros cúbicos de água. Mas estes tanques estarão cheios em 2022. Por conseguinte, esta água terá de ser drenada, tendo sido propostos dois planos: A libertação para o ar ou a descarga no mar. Estas duas soluções preocupam os pescadores e agricultores locais, que receiam que os produtos voltem a ganhar má reputação e que as vendas sofram.

O governo está a considerar a melhor solução, que será implementada dentro de dois anos, assim que tiver luz verde da Autoridade de Segurança Nuclear, um organismo independente criado após o desastre de Fukushima que supervisiona a segurança.

Estas libertações são comuns em todo o mundo, diz Christophe Xerri, perito da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), entrevistado pela euronews: "Todos os reatores nucleares estão autorizados a libertar pequenas quantidades de radioatividade na água e no ar, tudo isso está sujeito a controlo regulamentar".

De acordo com os peritos, este acidente não tem comparação possível com Chernobyl. Diz Georg Steinhauser: "Chernobyl, por exemplo, libertou uma enorme quantidade de plutónio e amerício. Portanto, Chernobyl ficará contaminada para sempre. Fukushima é uma história completamente diferente. Porque o que Fukushima libertou foi, basicamente, césio radioativo. O césio 137 tem uma meia-vida de 30 anos".

Desde a catástrofe, o Japão alterou as normas de segurança para as centrais nucleares e está agora a partilhar a experiência com o mundo. De acordo com os peritos da AIEA, que visitou o local pela última vez no ano passado, os métodos, análises e medições da radioatividade são fiáveis.

Nome do jornalista • Ricardo Figueira