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Um ano de Covid-19 espalhada por todos os cantos da Europa

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De  Francisco Marques
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Vacinação avança lenta pela Europa e alguns países estão a reimpor restrições
Vacinação avança lenta pela Europa e alguns países estão a reimpor restrições   -   Direitos de autor  AP Photo/Manu Fernandez
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Fez um ano, esta quarta-feira, que Montenegro se tornou no último país europeu a ser infetado pelo SARS-CoV-2. França tinha sido o primeiro, a 24 de janeiro de 2020.

Publicação de há um ano após primeiros casos em Montenegro

Quando os montenegrinos registaram os primeiros "doentes covid" já grande parte do continente europeu impunha restrições para conter a galopante pandemia de Covid-19, então, com o epicentro em Itália.

Um ano volvido e já com a vacinação em curso por todo o continente, o ainda "invencível" coronavírus continua bem ativo, letal e até a agravar-se em muitos países.

A presidente da Comissão Europeia diz ser "preocupante" ver "a situação epidemiológica a piorar". "Vemos as variantes, sobretudo a B117 (a britânica); vemos a crista da terceira vaga a formar-se nos Estados-membros e sabemos que temos de acelerar o ritmo da vacinação", alerta Ursula von der Leyen.

O plano europeu de imunização tem sido controverso e a maioria dos Estados-membros continuam a agir de forma isolada para tentar conter a epidemia dentro das próprias fronteiras, alguns indiferentes às decisões dos países vizinhos, dos parceiros europeus e da Comissão Europeia, como se vê agora com a vacina da AstraZeneca/Oxford.

A Polónia, por exemplo, acaba de registar 25 mil novas infeções em 24 horas e sábado impõe de novo restrições a nível nacional.

"Tomámos a decisão de voltar a implementar as restrições. Vamos limitar a atividade de centros comerciais em todo o país. Assim como de cinemas, teatros e museus. Vamos retomar o ensino e o trabalho à distância", anunciou o ministro das Saúde polaco, Adam Niedzielski.

Em Espanha, onde o combate à epidemia tem sido gerido sobretudo a nível regional, houve picos de infeção muito elevados, sobretudo na região de Madrid, atualmente vista como um oásis para quem quer fugir às restrições nos respetivos países, por exemplo, para os franceses.

Quase um milhão de pessoas perderam o trabalho em Espanha desde que o país impôs o primeiro confinamento.

O último boletim informativo sobre a Covid-19 no país vizinho de Portugal somou esta quarta-feira mais 6.092 novas infeções e um agravamento de 141, na terça-feira, para 228 mortes no espaço de 24 horas.

Em França, o país europeu há mais tempo "infetado" pelo SARS-CoV-2, a epidemia mantém-se agressiva em diversas regiões, por exemplo, na região de Paris.

O Governo mantém algumas medidas de contenção, como por exemplo um recolher obrigatório entre as 18 horas e as 06 horas da manhã seguinte ou o fecho de bares, restaurantes e atividades lúdicas.

O Eliseu tenta resistir a agravar as restrições para não comprometer ainda mais a economia, mas a saturação dos hospitais pressiona a imposição de mais medidas para reduzir as infeções.

O porta-voz do Governo gaulês, Gabriel Attal, antecipou "as novas medidas" em ponderação: "Podemos imaginar que podem ir desde um reforço muito forte da nossa política de 'testar, alertar, proteger' para os departamentos vizinhos [dos mais afetados] até medidas adicionais como o confinamento em regiões onde a situação epidemiológica é claramente mais preocupante".

Só esta quarta-feira, a França diagnosticou mais 38.501 novos casos e, nos últimos sete dias, somou 10.207 novas hospitalizações, incluindo 2.277 nos cuidados intensivos.

"Corona-Brexit"

No Reino Unido, desde janeiro um concorrente económico da União Europeia, a vacinação foi precipitada pelo Governo de Boris Johnson em dezembro antes mesmo da validação europeia das vacinas, numa medida vista como política no culminar do processo do Brexit.

O processo de vacinação parece estar adiantado e a epidemia controlada. De um recorde absoluto de casos diários estabelecido a oito de janeiro, nas 68 mil infeções registadas, a larga maioria da estirpe B117, o Reino Unido tem registado nos últimos cinco dias menos de 6 mil infeções diárias.

Os britânicos foram convidados pelo primeiro-ministro a associarem-se terça-feira, 23 de março, à iniciativa de um dia de reflexão pelas vítimas da Covid-19.

A proposta, que inclui um minuto de silêncio ao meio dia, hora local, partiu da Fundação Marie Curie e está a ser preparada com tiras amarelas penduradas nos ramos de árvores, com as pessoas a serem encorajadas a acender à noite uma luz na porta de entrada dos edifícios.

O dia 23 de março de 2020 marcou a primeira ordem do primeiro-ministro Boris Johnson para que os britânicos ficassem em casa devido à propagação do SARS-CoV-2.

O chefe do Governo britânico foi um dos líderes europeus mais resistentes a ceder à ameaça letal da Covid-19, até que ficou doente, teve de ser internado e foi assistido por dois enfermeiros, um deles português, a quem agradeceu terem-lhe salvo a vida. A política perante a epidemia no Reino Unido mudou desde então.

Os piores e os melhores países

Tendo por base os dados do portal "Worldometers", a Rússia é o país europeu mais afetado pelo SARS-CoV-2, com 4,4 milhões de casos confirmados, incluindo 93 mil mortes, seguido do Reino Unido (4,2 milhões/125,8 mil) e da França (4,1 milhões/91,4 mil), o Estado-membro da UE mais infetado.

Em melhor situação, está a Santa Sé. O Vaticano soma um total de 27 infeções diagnosticadas, com as Ilhas Faroé a manterem-se como o país europeu com menos mortes (1) ligadas à Covid-19, entre 661 casos confirmados no território insular.

Portugal soma 815 mil casos e 16.722 mortes, mantendo atualmente 34.829 casos ativos, 856 pessoas internadas, incluindo 205 em cuidados intensivos (dados suportados pela Direção-geral de Saúde).