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Dia Mundial do Sono: "Dormir mal é muito caro"

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Um homem dorme sobre garrafas de oxigénio, um bem escasso agora no Peru
Um homem dorme sobre garrafas de oxigénio, um bem escasso agora no Peru   -   Direitos de autor  AP Photo/Martin Mejia
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Dormir bem para viver melhor, é o conselho da médica neurologista portuguesa Teresa Paiva, neste Dia Mundial do Sono.A especialista não têm dúvidas em dizer que "dormir mal é muito caro".

A data é celebrada sob o lema "Sono Regular, Futuro Saudável" e a especialista médica, com mais de 30 anos de experiência, é fundadora e diretora clínica do CENC (Centro de Medicina do Sono), em Lisboa, um das entidades que se associa à Sociedade Mundial do Sono no alerta para a importância de um bom descanso.

Teresa Paiva falou com a Euronews sobre os estudos que tem vindo a liderar sobre o impacto negativo da pandemia no sono das pessoas. O primeiro concluiu que "a qualidade do sono agravou-se" com a primeira vaga de Covid-19 e o segundo está agora em curso.

Pode participar nesta sondagem do CENC confidencial seguindo esta ligação.

"Na primeira fase da pandemia o que aconteceu foi que houve cerca de 50% das pessoas que ficaram com o sono igual ou melhor e outra metade com o sono pior. Portanto, a qualidade do sono agravou-se", resumiu Teresa Paiva, explicando que "as pessoas passaram a ter horários mais tardios, a deitar-se e a levantar-se mais tarde."

Aprofundando a explicação, centrada no primeiro estudo do CENC, a neurologista explicou-nos que "os correlatos da boa qualidade do sono têm a ver com as atitudes e os comportamentos que as pessoas têm".

"Aquelas que têm atitudes negativas, que dizem 'estou farto disto, já não aguento mais, isto é a pior coisa que me aconteceu', são as [pessoas] que têm pior qualidade de sono. É a irritabilidade [associada à pandemia]. Nós definimos um índice de calamidade e quanto pior é esse índice, pior a qualidade do sono", concretizou.

Já "as pessoas com comportamentos positivos, como jardinagem, atividades manuais, aprender coisas, sair de casa, divertirem-se, descobrir coisas, ouvir música ou escrever, têm muito melhor qualidade de sono", sublinha.

Os confinamentos impostos por todo o Mundo recorrentemente a partir de março do ano passado não têm sido bons, "mas há que sobreviver a todas estas circunstâncias".

"Sair uma hora por dia não é mau desde que se saia de manhã e se apanhe sol. Pode apanhar-se muito sol à janela. O problema é que em casa as pessoas podem ter comportamentos positivos, mas também muitos comportamentos negativos", avisa Teresa Paiva.

Entre os comportamentos mais negativos com impacto no descanso, a neurologista destaca "passar o dia na cama, não fazer nada, passar o dia a ver televisão ou nas redes sociais ou no telemóvel". "Isto são comportamentos muito negativos", reforçou.

As medidas de contenção da pandemia que afetam o descanso acabam também por ter impacto no trabalho, como se percebe partindo de um estudo de 2016 da RAND Europe, focado em cinco dos países mais ricos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico).

Num estudo feito em cinco dos países mais ricos do mundo, verificou-se que a privação de sono custava entre 1,3% a 3% do PIB. Portanto, o sono sai caro, é muito caro. Dormir mal é muito caro.
Teresa Paiva
Diretora Clínica e CEO do Centro de Medicina do Sono
Euronews
O custo do sono calculado em 2016 num gráfico da RAND Europe/Jess PlumridgeEuronews

A forma como gerimos o descanso e o tempo livre, mesmo sem estarmos em contexto pandémico, tem reflexos na saúde e na nossa capacidade mental e Teresa Paiva lembra-nos que a responsabilidade de combater este vírus não cabe só aos líderes políticos.

"As opções por uma boa qualidade de vida, de sono e bem estar é também uma responsabilidade individual. Não é só o Estado que tem essa obrigação. O Estado tem obrigação de nos dar vacinas, mas nós temos também uma responsabilidade na nossa própria saúde", defendeu a neurologista.

Em conclusão, para ultrapassara da melhor forma esta pandemia, cada pessoa deve procurar dormir e comer bem, manter uma atitude ativa e positiva, limitar a dependência das tecnologias e relativizar a pandemia e viver o melhor possível.

"Se estivéssemos em contexto de guerra seria bem pior", alerta Teresa Paiva.

Editor de vídeo • Francisco Marques