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Samuel Eto'o defende reciprocidade na proibição de africanos

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De  Francisco Marques  & Nathalie Wakam/Africanews
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Jornalista Nathalie Wakam, da Africanews, entrevistou Samuel Eto'o em Lyon, França
Jornalista Nathalie Wakam, da Africanews, entrevistou Samuel Eto'o em Lyon, França   -   Direitos de autor  Africanews/Euronews
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Samuel Eto’o defende que os futebolistas africanos impedidos por clubes europeus de competir nas eliminatórias da Taça Africana das Nações, a CAN 2021, deviam ser proibidos de jogar também pelos respetivos clubes.

Em causa está uma autorização especial concedida a 5 de fevereiro pela FIFA aos clubes, no contexto da pandemia, de impedir os respetivos profissionais de futebol de viajarem para representar as respetivas seleções se tiverem de enfrentar uma quarentena no regresso de mais de cinco dias.

Os 40 clubes das primeira e segunda ligas francesas reuniram-se na semana passada e, em unanimidade, emitiram um comunicado evocando a referida circular da FIFA de 5 de fevereiro para anunciar o bloqueio de todos os respetivos jogadores estrangeiros de viajar para representarem as respetivas seleções se os jogos se realizarem foram da União Europeia e do Espaço Económico Europeu.

"Gostava de conseguir compreender", começou por dizer Eto'o, quando confrontado com o tema numa entrevista exclusiva à Africanews, parceira africana da Euronews, realizada em França, onde o antigo avançado dos Camarões, do Barcelona e do Inter de Milão recebeu o título de Doctor Honoris Causa pelo grupo de Escolas de Comércio de Lyon, pelos feitos alcançados dentro e extra futebol.

O camaronês entende que "que o verdadeiro problema da pandemia não está em África". "Quando analisamos a questão, vemos que o problema está sobretudo na Europa. Privar neste momento as seleções desses jogadores... Se eu fosse presidente de uma Federação, tomava medidas para impedir esses jogadores de jogarem pelos clubes", afirmou Eto'o, assumindo não se querer "envolver demasiado" no problema porque não é mais do que "um apaixonado da bola".

Perante o atual bloqueio dos jogadores africanos em França, a Federação do Senegal, que têm grande representação no futebol gaulês, pediu a intervenção da homóloga francesa para tentar libertar os futebolistas para a dupla jornada de qualificação da CAN 2021, que se joga entre 24 e 30 de março.

A associação de futebolistas profissionais em França (UNFP) também tomou uma posição contrária aos clubes.

Em comunicado, o sindicato dos jogadores gauleses disse "partilhar a legítima incompreensão dos futebolistas internacionais não franceses, convocados para jogos fora da União Europeia, e compreende a sua angústia e partilha a raiva expressa em particular pelos sete jogadores do Lyon implicados.

A UNFP apela ao Estado francês para conceder reciprocidade aos futebolistas internacionais de países que respeitem as condições de segurança antipandemia exigidas em França.

"Estas decisões testemunham uma descriminação que o Estado francês não pode continujar a praticar e da qual deve, pelo contrário, livrar-se o mais rápido possível". lê-se ainda no comunicado da UNFP.

Novo presidente da CAF

Na entrevista exclusiva a Samuel Eto'o foi ainda abordada a eleição do novo presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), o magnata sul-africano do setor mineiro Patrice Motsep, o também proprietário desde 2003 do Mamelodi Sundowns, o clube com mais campeonatos ganhos na África do Sul.

Referindo o facto de Eto'o ter felicitado publicamente Motsep pela eleição logo a 12 de março, Nathalie Wakam quis ouvir a opinião do antigo avançado dos Camarões sobre o que pode trazer de novo o empresário ao futebol africano enquanto líder da CAF.

"Já faz alguns dias que o presidente tomou posse. Vamos deixá-lo trabalhar à vontade e depois veremos. É uma pessoa apaixonada pelo futebol, com trabalho feito no país dele. É dono há muitos anos de uma equipa de futebol, que funciona muito bem. Vamos ver agora a nível continental o que é que ele pode trazer ao futebol africano. Desejemos-lhe muita coragem", afirmou Eto'o.