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EUA querem defender valores comuns ao lado da UE face à China

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EUA querem defender valores comuns ao lado da UE face à China
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O Secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, esteve, recentemente, em Bruxelas para reforçar os laços com a União Europeia e com a NATO, após quatro anos bastante tensos ao nível das relações entre a UE e os Estados Unidos.

euronews: “Bem-vindo a Bruxelas! Vê-lo aqui, esta semana, é um pouco como presenciar uma lua de mel. Sente que está a renovar os votos depois de quatro anos muito difíceis?"

Antony Blinken: “Nós queríamos vir aqui com um objetivo muito importante, que é simplesmente reafirmar o nosso compromisso em relação à NATO, e às nossas alianças, as nossas parcerias, bem como em relação à União Europeia, nossos principais aliados. Foi a nossa mensagem mais importante durante estas duas semanas de viagem. Começámos no Japão e na Coreia e depois viemos aqui com o objetivo de demonstrar que a América está de volta em termos dos seus compromisso com as suas alianças e parcerias. E fomos muito bem recebidos".

Não se trata de agir em conjunto contra a China mas de defendermos juntos os interesses e valores que partilhamos.
Antony Blinken
secretário de Estado norte-americano

euronews: “A América está de volta. Foi certamente o sentimento que a sua visita suscitou entre nós. E a China foi outra etapa essencial da sua viagem. Deve ter ficado bastante satisfeito, quando chegou a Bruxelas e constatou a reação da China, para alguns uma reação exagerada, às sanções da União Europeia, É uma questão que aproxima a Europa da posição dos Estados Unidos em relação à forma de lidar com a China, embora o presidente francês Emmanuel Macron tenha dito que não é um boa ideia que os Estados Unidos e a Europa ajam em conjunto para atacar a China. Essa posição de união pode ser o novo ponto de partida para o relacionamento transatlântico?"

Antony Blinken: “Não se trata de agir em conjunto contra a China. Não se trata de tentar parar a China ou de contê-la. Trata-se de defendermos juntos os interesses e valores que partilhamos. E um desses valores, algo em que todos nós investimos durante anos, é a chamada ordem internacional que se baseia em regras. Chegámos à conclusão que a melhor maneira de garantir que os países possam trabalhar juntos e gerir as relações de maneira produtiva é assinar um conjunto comum de regras e compromissos. E o nosso desafio é garantir que essa ordem seja respeitada. Quando um país, seja a China ou qualquer outro país, toma medidas que prejudicam esse princípio, não obedece às regras, temos a obrigação de nos erguer e dizer que esse país tem de fazê-lo. E somos muito mais eficazes quando o fazemos juntos de forma solidária".

euronews: "Enquanto estava em Bruxelas, esta semana, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, esteve em Pequim para afirmar o que pareceu ser uma posição conjunta contra a União Europeia e contra os Estados Unidos. Está preocupado com as tropas russas no leste, nos países bálticos? O que está a fazer em relação a isso?"

Antony Blinken: "Foi um grande tema das conversas que tivémos na NATO esta semana. Penso que há uma preocupação partilhada em relação a algumas das ações agressivas da Rússia. Nos Estados Unidos, houve o ciber-ataque Solarwinds. Houve a interferência nas nossas eleições. O alegado uso de prémios para nossas forças no Afeganistão. E, claro, o envenenamento e a tentativa de assassinato de Alexei Navalny, com uma arma química, sem falar na contínua agressão da Rússia no leste da Ucrânia. Todas essas coisas, assim como os novos sistemas de armamento que estão a ser desenvolvidos, preocupam-nos não apenas nós, mas também os nossos aliados e parceiros. Penso que há uma avaliação comum do desafio que representa a Rússia e também um compromisso comum de permanecermos unidos para lidar com esse desafio. Acho que o desafio é muito claro para todos nós. Reconhecemos que pode haver áreas sobre as quais, por interesse mútuo, podemos trabalhar juntos. Por exemplo, os Estados Unidos prorrogaram o tratado de desarmamento nuclear new start com a Rússia por cinco anos. Existem outras áreas da estabilidade estratégica, controlo de armas, onde podemos encontrar maneiras de trabalhar juntos. Mas isso não nos impedirá de nos erguemos de forma forte e unida , com nossos aliados e parceiros quando a Rússia cometer atos agressivos".

Há apenas 10 dias, em parceria com os chamados países QUAD, com a Austrália, o Japão e a Índia, lançámos uma iniciativa que vai aumentar drasticamente o acesso às vacinas ao longo do tempo.
Antony Blinken
Secretário de Estado norte-americano

euronews: "Tenho certeza de que teve outra conversa desagradável, esta semana, com os aliados sobre a Turquia, um membro muito importante da NATO que compra armas de defesa à Rússia. Isso está a desestabilizar um pouco a aliança, não?"

Antony Blinken: "Não é nenhum segredo que temos um diferendo com a Turquia em relação a essa questão. Algo que disse diretamente ao meu homólogo turco e os outros aliados fizeram o mesmo. Também é verdade que a Turquia é um aliado de longa data e muito valioso que trabalha conosco em prol de objetivos muito importantes, incluindo o contraterrorismo, lidar com a Síria e em outras áreas. Penso que temos interesse em continuar a colaborar de forma estreita com a Turquia, sem, ao mesmo tempo, ignorar as nossas diferenças. Envolvemo-los diretamente nas questões. Temos conversas muito francas, claras e abertas. E espero que a Turquia tome algumas medidas para lidar com os problemas colocados, por exemplo, pelos S-400".

euronews: "Pensa que é ouvido? Há também a questão da instabilidade no Mediterrâneo Oriental. É uma grande preocupação. Não creio que queira lidar com isso sozinho. Quer que os europeus lidem com isso. Qual seria a sua mensagem?"

Antony Blinken: "Penso que houve uma desaceleração no Mediterrâneo Oriental. A NATO está a desempenhar um papel muito bom para desminar a situação e certificar-se de que nas áreas onde há conflitos nenhuma das partes tome medidas de provocação, a começar pela Turquia em relação à manutenção de navios fora das águas ou áreas reivindicadas por outros. Temos simplesmente de olhar para uma solução pacífica desses diferendos de acordo com o direito internacional. E por falar nisso, na medida em que existem desafios em relação aos recursos naturais, essa deveria ser uma forma de aproximar os países. O uso conjunto desses recursos, os investimentos conjuntos, a exploração conjunta, é algo que pode aproximar os países. A nossa esperança é que isso aconteça".

"O Nord Stream 2 é uma má ideia e um mau negócio para a Europa, para nós, para a Aliança. Mina os princípios básicos da UE em termos de segurança e independência energética.
Antony Blinken
secretário de Estado norte-americano

euronews: "Em relação ao Nord Stream 2, irritou muita gente, na Alemanha, quando disse que o projeto vai prejudicar a Ucrânia e que quer os europeus parem o projeto. Mas o gasoduto está praticamente concluído, a 95%. Estaria disposto a chegar a um acordo?

Antony Blinken: "O mais importante acima de tudo é a Alemanha, um de nossos aliados e parceiros mais próximos em qualquer lugar do mundo. E estamos a trabalhar juntos todos os dias sobre muitas questões que têm um impacto profundo na vida dos nossos cidadãos e trabalhamos como parceiros próximos. O facto de termos um desacordo sobre o Nord Stream 2, não afeta e não afetará a nossa parceria e o nosso relacionamento em geral. Mas fomos muito claros. O presidente Biden foi muito claro quando disse que o Nord Stream 2 é uma má ideia e um mau negócio para a Europa, para nós, para a aliança. Mina os princípios básicos da UE em termos de segurança e independência energética. Representa um desafio para a Ucrânia, para a Polónia, e para outros países com os quais nos preocupamos. Pensei que era muito importante dizê-lo de forma direta e clara ao meu amigo Heiko Maas, para que não houvesse ambiguidade. A verdade é que temos legislação nos Estados Unidos que nos obriga a sancionar as empresas que estão a ajudar a construir o gasoduto. Queria apenas ter certeza de que os nossos parceiros entenderam a nossa posição sobre e o que é preciso fazer no futuro. E foi isso que fizemos".

euronews: "Os líderes da UE reuniram-se, esta semana, em Bruxelas e convidaram o presidente Joe Biden a participar na reunião por vídeo. Como sabe, a Europa está a viver uma crise muito séria devido à falta de vacinas. Estamos perante quase um ano de confinamentos que estão a devastar as economias dos 27 estados membros da UE".

Antony Blinken: “Foi obviamente um grande desafio histórico para todos nós. Nos Estados Unidos, morreram mais de 500.000 pessoas devido a esta pandemia. Eu sei a devastação e a dificuldade causada pela pandemia na Europa e o efeito profundo que está a ter na vida das pessoas. Assumimos o compromisso de ser um parceiro internacional muito forte, um líder internacional em relação a essa questão. Há apenas 10 dias, em parceria com os chamados países QUAD, com a Austrália, o Japão e a Índia, lançámos uma iniciativa que vai aumentar drasticamente o acesso às vacinas ao longo do tempo. Disponibilizamos algumas vacinas para os nossos vizinhos mais próximos, o México e o Canadá, e prevejo que nas próximas semanas esse número vá aumentar".