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Presépios de Nápoles em risco

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Protesto de artesãos em Nápoles
Protesto de artesãos em Nápoles   -   Direitos de autor  Luca Palamara
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As histórias repetem-se por toda a Europa, por todo o mundo. A pandemia de Covid-19, já o sabemos, criou uma crise, crises, a todos os níveis.

Em Nápoles, a rua dos artesãos onde se fabricam, em muitos casos de forma artesanal, figuras para presépios e estatuetas, de maior ou menor envergadura, faltam turistas, devido às restrições para travar a pandemia.

Uma situação que põe em risco toda uma atividade, uma tradição secular napolitana, que pode vir a perder-se. Serena D’Alessandro, que faz parte da Associação de Promoção Social Botteghe San Gregorio Armeno, explica que as "cinco semanas de encerramento" representaram "uma limitação" do trabalho destes artistas, "mas a questão é que a reabertura também tem as suas limitações, porque não há turistas aqui", explica. "A rua de San Gregorio Armeno vive do turismo e, sem ele, tanto faz estamos abertos ou fechados, porque o retorno está num mínimo histórico", desabafa.

Manter o negócio é cada vez mais difícil e há quem esteja já de olho nestas lojas. Empresas do norte de Itália e empresários chineses estão prontos a transformar esta rua noutra coisa.

Gabriele Casillo, o presidente da referida associação, explica que "mesmo que apenas uma oficina feche a sua porta, para vender a outro tipo de actividade, que nada tem a ver com" a "tradição, seria uma derrota maciça (...) porque pode alastrar-se, como um incêndio, e a nossa tradição deixará de existir".

Estes artesão esperam que o facto do seu trabalho, os presépios, aspirar a ser património imaterial da Humanidade, reconhecido pela UNESCO, possa ajudar a preservar esta arte. Aguardam, também, soluções dos governos regionais e nacional para evitar que esta tradição morra. E gostavam que se tornasse o centro histórico da cidade numa zona livre de Covid-19, com todos os residentes vacinados e controlando os turistas.