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As valas comuns de Iquitos

De  Héctor Estepa
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As valas comuns de Iquitos
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O trauma e o sofrimento causados pela covid-19 invadiram Iquitos, a maior cidade do mundo sem acesso rodoviário, localizada no coração da Amazóniaperuana. A cidade tem meio milhão de habitantes. Pelo menos 3200 pessoas morreram numa crise que deixou os hospitais sobrecarregados.

As famílias das vítimas protestam no cemitério improvisado pelas autoridades. Ali, centenas de pessoas foram enterradas sem permissão.

Roberto Lecca fala de "uma dor pela qual ninguém devia passar ". Diz que perder um membro da família é doloroso "mas o facto de não o ter velado, de não lhe ter dado um enterro cristão e sepultura, e ainda mais de não saber especificamente onde ele está, é desolador".

Em muitas sepulturas há mais do que uma cruz. Os familiares exigem a exumação dos corpos, e acreditam que o cemitário é um único local de enterro coletivo e que as sepulturas são uma fraude.

Agonari Chávez não tem dúvidas. Garante que os mortos estão "num único buraco, numa vala comum".

A pandemia atingiu 70% da população de Iquitos e a catástrofe pode repetir-se através da reinfeção com as novas variantes. A estirpe brasileira chegou a através do rio e as autoridades receiam agora que a corrente traga novas variantes do país vizinho.

A grande esperança é a vacinação, mas não será uma tarefa fácil na Amazónia. Muitas comunidades receiam a vacina, e a logística também irá complicar a chegada do fármaco aos locais isolados.