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Minorias étnicas mais expostas a abordagens da polícia

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De  Euronews
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Minorias étnicas mais expostas a abordagens da polícia
Direitos de autor  ARIS OIKONOMOU/AFP or licensors

Na Europa, as minorias étnicas estão mais expostas a patrulhas e revistas policiais do que outras. Muitas vezes enfrentam um "tratamento insultuoso" e diferente, de acordo com as conclusões do estudo "Your rights matter: police stops", que a Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia acaba de divulgar.

Os dados tornam-se conhecidos numa altura em que se assinala um ano da morte do rapper norte-americano George Floyd. O caso levou muitos europeus às ruas em protesto e despertou a atenção do perito em direitos humanos Sami Nevala.

"Neste breve relatório conseguimos comparar, pela primeira vez, as experiências da população geral e as experiências de imigrantes e minorias étnicas no que diz respeito à atuação da polícia na Europa. Encontrámos diferenças significativas nestas experiências quer em termos de quantas pessoas são abordadas quer em termos da experiência das pessoas abordadas. Acreditamos que estas experiências podem ter implicações no que diz respeito à confiança na polícia", sublinhou, em entrevista à Euronews, Sami Nevala, da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia.

O relatório alerta que existem situações em que é legítimo abordar as pessoas, quando estão em causa investigações criminais ou relacionadas com controlo de tráfico de droga, por exemplo.

Mas a abordagem discriminatória, nos casos em que a polícia atua com base na raça ou etnia para deter alguém é ilegal, lembra o documento.

Com este relatório, a Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia conta chamar à atenção da classe política e encorajar a polícia a rever condutas.

Mas isso requer recursos e vontade política e na Bélgica - diz Youssef Kobo - os políticos assobiam para o lado.

"Quando olho para as forças da polícia que servem comunidades penso que não deveria existir fricção. Mas existe, há décadas. Conheço as histórias do meu pai e dos meus tios e sei o que passaram. É estranho perceber que as coisas continuam na mesma, ouvir precisamente as mesmas histórias, de pessoas abordadas aleatoriamente, a terem de mostrar a identificação pessoal sem razão aparente. Pessoas que são abordadas vezes e vezes sem contra pelos mesmos polícias. Percebe-se que a tensão, a fricção é bastante comum em determinadas comunidades, em determinadas áreas. Penso que o problema maior é que não há quem se interesse pelo assunto. Os políticos olham para o lado", referiu Youssef Kobo, empreendedor social responsável pela iniciativa "A Seat at the Table."

Youssef Kobo trabalha no terreno com elementos de comunidades desfavorecidas. Quer chamar à atenção da classe política e empresarial, mas acredita que na Europa os políticos ainda não aprenderam as lições relacionadas com o movimento Black Lives Matter. Enquanto isso não acontecer, diz, o racismo sistémico continuará a ter terreno fértil para crescer.