Um Irão em sanções na luta contra a Covid

Na unidade de cuidados intensivos do hospital Ebn-e Sina em Teerão, as eleições presidenciais são uma preocupação distante. Aqui, os médicos estão preocupados com uma possível quarta vaga de Covid-19.
"Temos que vacinar pelo menos 40 milhões de pessoas para quebrar a cadeia de transmissão", diz o diretor do hospital, Arash Anisian.
Mas no país, até agora apenas 4 milhões de pessoas foram vacinadas causa de preocupação para o médico Javad Nazari. Nos últimos 15 meses, Nazari tem atendido cerca de 80 pacientes todos os dias. Quando perguntado quando foi a última folga, o profissional "não se lembra".
O Irão tem sido um dos países mais atingidos pela Covid-19 no Médio Oriente. Como acontece na linha da frente da pandemia em todo o mundo, os médicos estão exaustos. As sanções que o país enfrenta são uma dificuldade acrescida.
"Nos primeiros dois a três meses tivemos muitos problemas para fornecer equipamento de proteção, máscaras, medicamentos e equipamento importante como os ventiladores não invasivos "bipap". Ninguém nos vendia a não ser contra dinheiro", explica Arash Anisian.
Anelise Borges, enviada especial da Euronews ao Irão, explica que, oficialmente, "cerca de 80 mil pessoas morreram de Covid-19 mas estimativas sugerem que o número pode ser muito maior".
Quem vencer as eleições presidenciais de sexta-feira terá de enfrentar múltiplas crises ao mesmo tempo: negociações com o Ocidente sobre o acordo nuclear, economia e cuidados de saúde.
Os iranianos dizem que só podem esperar que as autoridades tragam o país de volta a uma vida normal.