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Morte de militar de extrema-direita expõe autoridades belgas

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De  Euronews
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Morte de militar de extrema-direita expõe autoridades belgas
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Ao fim de 35 dias de caça ao homem, o clima de insegurança e de ameaça que pairava sobre a Bélgica parece ter chegado ao fim.

O cadáver de Jürgen Conings, um militar de extrema-direita em fuga depois de ameaçar um virologista do país, foi encontrado numa zona de floresta no leste da Bélgica.

Com 46 anos, Conings estava debaixo de olho da organização belga de análise da ameaça terrorista (Ocam).

O caso colocou as autoridades belgas em cheque, com denúncias de falhas na vigilância de elementos radicalizados no seio do próprio Exército.

"Houve um falhanço incrível em matéria de inteligência. Temos um homem que durante anos foi conhecido como radical de extrema-direita, com acesso a qualquer arma possível nas instalações militares onde trabalhava, que foi sinalizado, mas não sancionado. É absolutamente inacreditável", lembrou, em entrevista à Euronews, Claude Moniquet, diretor-executivo do Centro Europeu de Inteligência Estratégica e Segurança (ESISC).

As causas da morte de Conings ainda estão a ser verificadas pela perícia forense, mas tudo indica que se tratou de um suicídio por arma de fogo.

Suspeito de querer atacar elementos do Estado belga, Conings abandonou o Exército, mas levou do quartel onde estava estacionado um lançador de rockets, metralhadoras e várias granadas.

O mais surpreendente tem sido o apoio que conseguiu nas redes sociais por parte de membros e antigos elementos do Exército.

"Acho que toda a história nos mostra duas coisas: a primeira é que a ameaça da extrema-direita não é abordada seriamente pelas autoridades e isso não acontece apenas na Bélgica, mas também em outros países da Europa. A segunda coisa é que esta sociedade está doente. Quando milhares de pessoas, pessoas normais, decidem tornar num herói um homem como Jürgen Conings, significa que existe um problema sério", lamentou Claude Moniquet.

O corpo de Conings foi encontrado aleatoriamente pelo autarca de Maaseik, que sentiu o odor quando andava de bicicleta perto da cidade de Dilsen-Stockem.

Terminou a caça ao homem, mas muitas perguntas sobre a gestão do caso continuam por responder.