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"O céu não é só para cientistas"

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"O céu não é só para cientistas"
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As localidades de Évora e Mourão, em Portugal, receberam a I Conferência Internacional de Astroturismo.

O evento foi organizado pela Fundação Starlight e pela Associação Dark Sky, em parceria com a Universidade de Évora, e contou, ainda, com a participação da Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas.

"Percebemos que o céu não é só para cientistas. Proteger o céu é proteger a biodiversidade, a flora e a fauna. Estamos a proteger a nossa saúde porque somos também uma espécie que vive no planeta. Protegendo a natureza e o ambiente, estamos a incorporar a paisagem que esquecemos. Por conseguinte, um planeta sustentável depende da preservação e conservação dos céus noturnos", refere a diretora da Fundação Starlight, Antonia Valera.

Exemplos de astroturismo são a Reserva Dark Sky Alqueva e o complexo "Entre Azinheiras e Estrelas". Locais onde amadores e astrónomos descortinam o universo.

"O 'Entre azinheiras e estrelas' dedica-se a diferentes atividades, todas relacionadas com a astronomia. A principal é o alojamento de telescópios, que consiste em valorizar o céu, alugando o céu a astrónomos de qualquer parte do mundo que não tenham a sorte de desfrutar dos céus que desfrutamos. Eles trazem-nos os seus telescópios, instalam-nos e operam-nos à distância a partir das suas casas".

O astrónomo do Instituto de Astrofísica das Canárias, Juan Antonio Belmonte, investiga as tradições astronómicas das culturas antigas.

"O Instituto de Astrofísica das Canárias criou a lei de proteção do céu há várias décadas, que requer um certo tipo de iluminação e luminárias. O tráfego aéreo é limitado e há toda uma série de questões".

A astrónoma e comunicadora científica, Susana Malón, é especialista em poluição luminosa.

"Estamos a tentar lutar para que os projetos de iluminação tenham, realmente, o mínimo impacto ambiental possível; e tal como estamos conscientes de que o ruído polui, também temos de ter em conta que a iluminação excessiva também pode causar poluição ambiental, que vai muito além da perda das estrelas".

Fernando Ruiz é um frade Mercedário e monitor da Fundação Starlight, e considera que olhar para o céu é uma experiência espiritual.

"Estas experiências transformam-nos. Dão-nos o sentido de uma experiência que nos transforma, que nos torna mais humildes, que nos faz compreender a dimensão de quem somos e a dimensão dos nossos problemas".

O astroturismo está a crescer um pouco por todo o mundo. A atividade tem como principal bandeira a sustentabilidade e permite aos turistas saírem dos meios urbanos e deixarem-se levar pela luz das estrelas.