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Abdulrazak Gurnah: "Falta compaixão na Europa para com os migrantes"

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De  Euronews
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Abdulrazak Gurnah: "Falta compaixão na Europa para com os migrantes"
Direitos de autor  AP Photo
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De refugiado a Prémio Nobel da Literatura. Abdulrazak Gurnah chegou ao Reino Unido em 1968, fugindo da perseguição religiosa no seu país, a Tanzânia, e acabou a ensinar na Universidade de Kent.

A sua literatura tem estado sempre interligada ao exílio e ao choque de culturas devido ao colonialismo.

O comité Nobel sublinhou a "compaixão" da sua abordagem como escritor, fazendo a ligação com as migrações e a falta de ajuda humanitária nos tempos modernos.

"(Compaixão) É precisamente isso que falta na sordidez dos pronunciamentos dos governos europeus ricos quando tratam estas pessoas desesperadas, vindas de vários lugares. Na verdade, os números não são astronómicos, mas tratam estas pessoas desesperadas como doentes, mendigos, esse tipo de coisas. O que falta é compaixão. O que falta é um tipo de reflexão como: há quanto tempo é que isto nos estava a acontecer a nós? Talvez tenha sido há apenas três ou quatro décadas que tantas pessoas na Europa se encontravam em circunstâncias semelhantes?" Pergunta.

O escritor agora catapultado para o mundo era praticamente desconhecido fora do universo literário anglófono. São poucas as obras traduzidas noutras línguas. Em português existe apenas o romance "By the Sea" - "Junto ao Mar", mas a sua obra é composta de dez romances e três livros de contos.