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Militares portugueses suspeitos de tráfico

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De  Ricardo Figueira
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Forças portuguesas na RCA
Forças portuguesas na RCA   -   Direitos de autor  Tiago Petinga/ 2018 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

A Polícia Judiciária portuguesa deteve dez suspeitos e fez mais de cem buscas em instalações militares e casas particulares, esta segunda-feira, naquela que é uma das maiores operações de sempre contra elementos das Forças Armadas, no âmbito da investigação a uma alegada rede de tráfico de diamantes, ouro, droga e armas provenientes de África, por parte das tropas portuguesas em missões.

O quartel dos comandos da Carregueira, na Grande Lisboa, foi o centro da operação, já que é aqui que está concentrada a maioria dos suspeitos, mas a Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ fez buscas, na maioria domiciliárias, em pontos de todo o território continental e na Madeira.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, diz que a imagem das tropas portuguesas não sai afetada:

"O contributo de Portugal para a segurança internacional é reconhecido por todos e o papel das nossas forças especiais destacadas em diferentes teatros de operações é também muito reconhecido. É um papel muito importante, que muito honra Portugal. A minha leitura é que as autoridades judiciais competentes, quando entendem que devem realizar diligências, as realizam. Em Portugal vigora o princípio da separação de poderes, portanto à justiça o que é da justiça", declarou o ministro.

O contributo de Portugal para a segurança internacional é reconhecido por todos.
Augusto Santos Silva
Ministro dos Negócios Estrangeiros (Portugal)

A "Operação Miríade" visa elementos das Forças Armadas, nomeadamente dos Comandos, mas também da PSP e da GNR. É o culminar de uma denúncia feita no final de 2019 e que tem vindo a ser investigada pelas autoridades, que diz respeito às tropas de manutenção da paz presentes na República Centro-Africana, no âmbito de uma missão da ONU.

O Estado-Maior das Forças Armadas confirmou, num comunicado, que estas suspeitas estavam a ser investigadas e que os aviões de transporte militar, que não são fiscalizados pelas autoridades, seriam usados para trazer droga, ouro e diamantes para a Europa, que no caso dos diamantes eram depois encaminhados para a Bélgica e vendidos a preços milionários.