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Funcionários públicos voltam ao trabalho em Guiné-Bissau mas edifício do Governo permanece vazio

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De  Euronews  com LUSA
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Guiné Bissau sob forte patrulhamento militar, após tentativa de golpe de Estado
Guiné Bissau sob forte patrulhamento militar, após tentativa de golpe de Estado   -   Direitos de autor  AFPTV TEAMS/AFP or licensors

O presidente e membros do executivo da Guiné Bissau voltaram esta quinta-feira, pela primeira vez ao Palácio do Governo, desde a tentativa de golpe de Estado, dois dias antes, em que 11 pessoas perderam a vida.

O governo guineense pediu aos funcionários públicos e trabalhadores do setor privado que regressassem ao trabalho, mas o edifício alvo do ataque permanece vazio e fortemente patrulhado pelas forças militares.

“Nós estávamos a ouvi-los a falar”

Vidros partidos e projetéis espalhados pelo chão tanto no exterior como no interior do edifício, sangue no interior da entrada principal do Palácio do Governo, na zona que dá acesso à sala onde se realizam as reuniões do Conselho de Ministros, e em alguns corredores adjacentes. Portas arrombadas, algumas viaturas destruídas e outras com visíveis marcas de balas.

Um Palácio do Governo deserto, controlado pelas forças de defesa, e que hoje recebeu a visita do Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, acompanhado do primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam, do vice-primeiro-ministro, Soares Sambu, e dos ministros da Defesa, Sandji Fati, e do Interior, Botché Candé, e de uma forte escolta de segurança.

Aos jornalistas foi permitido recolher imagens, enquanto o Presidente explicava o que tinha acontecido.

“Aqui estava o comando”, afirmou Umaro Sissoco Embaló, na zona de trás do edifício, referindo-se aos insurgentes e apontando ao mesmo tempo para uma janela onde era visível a entrada de um projétil.

“Nós estávamos a ouvi-los a falar”, continuou o Presidente.

Umaro Sissoco Embaló explicou que no final estava sentado numa sala com a porta aberta e que entraram os comandos e que lhe disseram que já podia sair e ir para o carro.

“Vocês são verdadeiras forças republicanas", disse, batendo no peito de um comando que estava ao seu lado.

Um fuzileiro explicou à Lusa que além dos insurgentes que estavam no interior do edifício, houve disparos feitos do outro lado da avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria, e que o chefe de Estado renomeou agora de avenida Presidente “Nino” Vieira.

Num edifício com vários andares situado em frente do Palácio do Governo também eram visíveis marcas de projéteis e vários vidros partidos.

Testemunhas no local, incluindo os proprietários do edifício bastante preocupados com os danos, explicaram que daquele prédio ninguém disparou e que os disparos estavam a ser feitos de uma mangueira situada ao lado da propriedade.

Aliás, acrescentou uma das pessoas que vive no local, foi daquele sítio debaixo da mangueira junto a um banco de areia que foi feito o vídeo divulgado nas redes sociais e que mostra os insurgentes no Palácio do Governo a lançar uma bazuca.

Vários tiros foram ouvidos na terça-feira junto ao Palácio do Governo da Guiné-Bissau onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam.

A tentativa de golpe de Estado já foi condenada pela União Africana, pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), através da presidência angolana, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, por Portugal e por vários outros países.

Homens armados atacaram na terça-feira o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam.

O ataque causou pelo menos 11 mortos, segundo o último balanço do Governo, e o Presidente considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado que poderá também estar ligada a “gente relacionada com o tráfico de droga”.

O Estado-Maior General das Forças Armadas guineense iniciou entretanto uma operação para recolha de mais indícios sobre o ataque, que foi condenado pela comunidade internacional.

A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo, com cerca de dois terços dos 1,8 milhões de habitantes a viverem com menos de um dólar por dia, segundo a ONU.

Desde a declaração unilateral da sua independência de Portugal, em 1973, sofreu quatro golpes de Estado e várias outras tentativas que afetaram o desenvolvimento do país.