EventsEventos
Loader

Find Us

FlipboardLinkedin
Apple storeGoogle Play store
PUBLICIDADE

Refugiados ucranianos na primeira pessoa

Witness
Witness Direitos de autor euronews
Direitos de autor euronews
De  Monica Pinna
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

A Euronews esteve em Przemyśl, na Polónia, a ouvir as histórias daqueles que deixaram a Ucrânia e a guerra para trás.

PUBLICIDADE

Elizaveta olhou para mim e para o microfone. Eu esticava-me na sua direção. Ela inspirou profundamente. A mãe olhou para ela e deu-lhe a mão.

Durante esse momento, antes de Elizaveta começar a falar, o meu sangue gelou. Aquele gesto entre estas duas gerações de mulheres ucranianas deu-me um choque emocional. Significava amor, dor e força. Ainda incrédula sobre o que tinha mudado a sua vida de um dia para o outro, começou a falar: "Na Ucrânia, há um grande problema. Putin está a matar os nossos filhos. Tantas crianças".

Não estava a chorar, mas as lágrimas começaram a descer-lhe pelos olhos. Não consegui manter qualquer distância emocional, como jornalista, em relação ao que testemunhava. Os olhos de Thierry, atrás da câmara, também estavam cheios de lágrimas e Karolina, os nossos "olhos e ouvidos" locais também não conseguiam segurá-las.

Monica Pinna / Euronews
A mãe de Elizaveta segura-lhe a mãoMonica Pinna / Euronews
Putin está a matar os nossos filhos. Tantas crianças.
Elizaveta
Refugiada ucraniana

A mesma cena repetiu-se vezes sem conta durante a nossa missão de dez dias na Polónia, na fronteira com a Ucrânia. Não conseguíamos manter a nossa distância. Aquela onda de tristeza e dor acabou por nos atingir a todos. Uma pergunta recorrente continuava a circular na minha cabeça. Porque é que tudo isto está a acontecer?

Muitas vezes, senti-me uma intrusa. Mas, muitas vezes, fiquei surpreendida com a resposta. Estas mães, avós e jovens mulheres estavam conscientes de que tinham um papel a desempenhar, mesmo longe de casa, mesmo como refugiadas.

"O mundo precisa de saber", disse-me Lyuba no centro de autocarros em Przemyśl, a principal cidade polaca perto da fronteira com a Ucrânia. Abalada e ainda em choque, ela descreveu como todo o seu mundo tinha virado de cabeça para baixo:

"Putin é o agressor. Pessoas inocentes estão a morrer. Os tanques estão a disparar por todo o lado. Uma jovem, de 18 anos de idade, está ali parada com uma metralhadora. É horrível. Tanques na cidade. Em todo o lado. As pessoas estão a usar uniformes militares. Detenham-no ou haverá uma guerra nuclear. Detenham-no. Amanhã ele estará na Europa. Detenham-no", disse-nos, emocionada.

Monica Pinna / Euronews
Lyuba com a mãeMonica Pinna / Euronews
Detenham-no (Putin), ou haverá uma guerra nuclear.
Lyuba
Refugiada ucraniana

Veronika, de 20 anos, estava a fazer fila embrulhada num grande cobertor na estação de autocarros de Przemyśl, um parque de estacionamento reconvertido para ajudar os refugiados. Ela disse-me que a Ucrânia vai ganhar porque "a Rússia luta com um exército. A Ucrânia luta com o povo". Este forte sentido de pertença e resistência é algo com que me deparei em todos os refugiados com quem falei.

Monica Pinna / Euronews
VeronikaMonica Pinna / Euronews
A Rússia luta com um exército. A Ucrânia luta com o povo.
Veronika
Refugiada ucraniana

E houve também Lyudmilla, uma médica reformada de 67 anos, que afirmou: "Vamos ultrapassar isto".

Monica Pinna / Euronews
LyudmillaMonica Pinna / Euronews
Vamos ultrapassar isto.
Lyudmilla
Médica na reforma e refugiada

Tentou sorrir enquanto o dizia. Nesse sorriso forçado que se transformou em lágrimas, vi toda a resiliência de uma população que luta pela justiça, democracia, e liberdade. Não é eles os valores que a União Europeia se baseia?

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Lágrimas, sangue e coragem: uma viagem pela Ucrânia

"Temos de continuar e eu já vivi o suficiente. Não tenho medo", diz residente de Kiev

Primeiro-ministro polaco promete reforçar a segurança na fronteira com a Bielorrússia