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A difícil celebração da Páscoa para milhões de ucranianos afetados pela guerra

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De  Apostolos Staikos  & com tradução de Francisco Marques
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Criança refugiada ucraniana decora um ovo da Páscoa
Criança refugiada ucraniana decora um ovo da Páscoa   -   Direitos de autor  AP Photo/Andreea Alexandru

A Páscoa Ortodoxa celebra-se apenas no próximo domingo, uma semana depois da celebração católica, mas  este ano para os ucranianos será uma data especial e muito difícil.

Alguns milhões tiveram de fugir da guerra e vão assinalar a Ressurreição de Cristo longe de casa, mas nem assim a deixam de celebrar.

Refugiados ucranianos em Portugal

Os ucranianos em fuga da guerra acolhidos em Portugal dividem-se entre católicos e ortodoxos. Os primeiros celebraram a Páscoa no passado domingo, de acordo com o calendário gregoriano. Para os segundos, esse tinha sido o Domingo de Ramos e a Ressurreição de Cristo é assinalada uma semana depois.

À margem das celebrações coletivas normalmente preparadas pela comunidade ucraniana em Portugal, este ano haverá também alguns eventos mais privados, em casa de famílias portuguesas que acolheram refugiados ucranianos.

Uma Páscoa difícil, mas também uma experiência de comunhão inter-religiosa entre dois povos que se assumem amigos, como ficou expresso no discurso do Presidente Volodymyr Zelenskyy esta quinta-feira, em videochamada, no Parlamento português.

Seja em Portugal, na vizinha Polónia ou mesmo na Grécia, onde a igreja ortodoxa também é dominante e o dia de Páscoa até coincide com o ucraniano.

No campo de refugiados de Serres, no norte do país, Tatiana Babaru e Krystina Scheglova organizaram uma celebração pascal especial para animar as crianças que ali estão protegidas da guerra.

Diante do microfone da Euronews, Tatiana não esconde as emoções.

"Na Páscoa, fazemos diversas delicias. Tudo coisas boas. A Páscoa é sobre ressurreição e por isso decidimos manter a tradição", diz entre sorrisos, em ucraniano, para logo mudar para grego e, sem conter as lágrimas, explicar: "Fizemos os tradicionais pãezinhos e pintámos ovos com flores e árvores. Simbolizam a longevidade e o amor pela natureza, o homem e a nossa família."

Os refugiados ucranianos acolhidos no campo de Serres recordam a terra natal através das canções tradicionais enquanto as crianças se divertem a decorar os ovos da Páscoa.

"Tentamos que as crianças se sintam em casa. Fizemos pãezinhos da Páscoa como na Ucrânia porque os nossos são diferentes dos que fazem aqui na Grécia e assim tentamos dar às crianças um pouco de alegria e esperança", refere Krystyna Scheglova à nossa reportagem.

Há 36 crianças ucranianas a viver atualmente no campo de Serres. 30 vão à escola. Todas estão a aprender grego.

Desde que aqui chegaram, os refugiados ucranianos sentiram a necessidade de continuar a ir à igreja e rezar. Agora, na Semana Santa, ainda mais, na esperança de que a Ressurreição de Cristo lhes traga o fim da guerra e lhes permita regressarem à Ucrânia.

"Vamos regressar a nossas casas. Vamos reconstrui-las e torna-las ainda mais resistentes. Tínhamos uma boa vida e queremos recupera-la", garante Tatiana Babaru.

Não queremos andar por terras estrangeiras. Não queremos que as nossas crianças sejam bombardeadas e morram.
Tatiana Babaru
Refugiada ucraniana na Grécia

O enviado esp3ecial da Euronews a Serres, no norte da Grécia, calcula que "nos últimos dois meses, cerca de 21 mil ucranianos chegaram à Grécia".

"Esta é, sem dúvida, uma Páscoa difícil, longe de casa e de quem mais gostam. No entanto, aqui os ucranianos têm esperança de que a guerra acabe rapidamente e que não tenham de passar o resto da vida como refugiados", conclui Apostolos Staikos.