EventsEventosPodcasts
Loader
Find Us
PUBLICIDADE

Indígenas brasileiros na pobreza. "Não temos terras para plantar"

Daniela Acosta, membro de comunidade indígena brasileira, no estado do Paraná
Daniela Acosta, membro de comunidade indígena brasileira, no estado do Paraná Direitos de autor NELSON ALMEIDA/AFP or licensors
Direitos de autor NELSON ALMEIDA/AFP or licensors
De  Euronews com AFP
Publicado a
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

Centenas de famílias indígena no sul do Brasil vivem abaixo do limiar de pobreza. Sonham em ter uma reserva para serem autossuficientes. Mas Jair Bolsonaro já avisou: para as terras indígenas "nem um centímetro a mais"

PUBLICIDADE

A pacata vida de cidade no município de Guaíra, no Sul do Brasil, não espelha, à distância, uma conturbada relação. A distribuição de terras dividiu há muito a comunidade local e os relatos de discriminação e ameaças contra indígenas são frequentes. Na região, composta por 14 aldeias indígenas, há um sonho em comum: viver numa reserva, onde possam ser autossuficientes e não depender de mais ninguém.

"Aqui na cidade mesmo é difícil a gente ser bem recebida", lamenta Daniela Acosta, pedagoga e membro da comunidade indígena avá-guarani. Numa pequena casa, onde vive com o filho, é uma das poucas a ter um trabalho pago, mas que mal lhe garante as despesas. "A gente até tem vergonha de pedir cesta básica porque eles falam: 'Tem que trabalhar para comprar as coisas!', conta. 

No Brasil, segundo o Censo 2010, 517 mil famílias vivem em reservas indígenas, isto é, em áreas demarcadas e protegidas por lei da ocupação por terceiros. É dessas terras que provem o sustento para uma grande parte da população, dependente do que produz para comer.

Forçados a sair de terras ancestrais para dar lugar a uma agricultura intensiva, os Avá-Guarani ficaram reduzidos a uma parcela de território não desejado no estado do Paraná, onde cerca de 200 famílias indígenas vivem abaixo do limiar de pobreza.

O líder da comunidade na aldeia de Marangatu denuncia que, para os que ali habitam, pouco sobrou mais que solo rochoso impossível de cultivar.

"É fome, não é brincadeira não. E aqui a gente passa fome. Não é porque a gente é vagabundo, porque a gente não quer trabalhar. A gente não tem mesmo espaço para trabalhar, para plantar, para produzir comida. Aqui a área é muito pouca".

Das 728 terras indígenas identificadas no Brasil, de acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), mais de 240 aguardam por serem oficialmente reconhecidas como reservas. Um processo travado pelo governo de Jair Bolsonaro, que desde 2021 impede a demarcação.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Standard & Poor's diz a Lula para não mexer nas reformas de Bolsonaro

Hajj: peregrinação à cidade santa de Meca pelos muçulmanos

Brasil: foram chamados para salvar crianças, mas acabaram numa operação de "salvamento" de armas