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Mais de 120 mil ucranianos e russos em fuga da guerra estão a saturar a vida da Sérvia

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De  Francisco Marques
Passageiros de um voo Moscovo-Belgrado, da Air Serbia, a desembarcar
Passageiros de um voo Moscovo-Belgrado, da Air Serbia, a desembarcar   -   Direitos de autor  AP Photo/Darko Vojinovic   -  

Sérvia, país dos Balcãs que se tem mostrado mais próximo do Kremlin do que da União Europeia, tem sido um dos países para onde muitos dos que fogem dos "estilhaços" da invasão russa da Ucrânia e, desde 24 de fevereiro, já terá acolhido mais de 120 mil pessoas em fuga da guerra, por diversas razões.

Cerca de 18 mil ucranianos fugiram das armas russas e mais de 104 mil russos estarão em fuga da eventualidade de serem arrastados para um conflito do qual poderiam não voltar. No entanto, estão agora a gerar outro problema. Na Sérvia.

A ucraniana Tanja Vukas é oriunda de Chernihiv. "Vim para a Sérvia em março. Não estou a trabalhar de momento porque é muito dificil encontrar trabalho. Gosto de estar aqui. As pessoas acolheram-nos bem", assegura.

Ainda antes da ucraniana, o russo Ilya Sechanov chegou à Sérvia logo no início de março depois de ter viajado pela Europa.

Trabalha no ramo informático. Tal como muitos outros jovens russos, com menos de 35 anos, decidiu deixar o país após 24 de fevereiro, o dia em que o Kremlin ordenou a invasão armada da Ucrânia.

Sechanov escolheu ficar em Belgrado, onde encontrou, por exemplo, um café que o faz sentir-se quase em casa. O dono e o empregado do estabelecimento são russos e há até muitos ucranianos que o frequentam.

"Temos aqui muitas oportunidades. Até mesmo algumas que não encontramos em Moscovo. Há muito por onde escolher. Seja no ramo do imobiliário, na informática ou noutros setores", garante Ilya Sechanov.

Muitos dos que fogem da guerra ou do Kremlin chegam à Sérvia com os filhos e, por isso, procuram apartamentos.

Os agentes imobiliários da região de Belgrado não se recordam de uma procura tão intensa. Em especial por russos. O preço das casas disparou. As rendas duplicaram em seis meses.

Só uma agência imobiliária da capital sérvia já arranjou mais de três mil apartamentos a cidadãos russos. Menos para ucranianos. O número de russos a arrendar casas em Belgrado subiu quase 90%.

"Têm de estar totalmente equipados, com bons eletrodomésticos e uma Internet forte. Tudo aquilo que nos permite ter uma vida confortável. A localização também é muito importante para eles", afirmou Nikola Cobic, agente da "Cityexpert", uma imobiliária de Belgrado.

Para o atual ano escolar, por exemplo, inscreveram-se pelo menos 66 novos estudantes ucranianos e mais de 530 russos. A maior parte, na primária. Estudam lado a lado, mas com estatutos diferentes. Os ucranianas so considerados refugiados. Os russos, meros estrangeiros.

Outras fontes • Balkan Insight, RTS