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Barragem destrói ecossistema do rio Xingu

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A barragem de Belo Monte foi um projeto da anterior presidência de Lula da Silva
A barragem de Belo Monte foi um projeto da anterior presidência de Lula da Silva Direitos de autor  Andre Penner/Copyright 2019 The AP. All rights reserved.
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De Ricardo Figueira
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População indígena vive, essencialmente, da pesca. Desde que a barragem de Belo Monte foi aberta em 2016, a vida não voltou a ser a mesma.

Desde há seis anos, a vida da população das aldeias nas margens do rio Xingu, no Estado do Pará, em plena Amazónia, no Brasil, não voltou a ser a mesma. Tudo por causa da barragem de Belo Monte, inaugurada em 2016, que apesar de todo o progresso que significa abalou completamente o ecossistema do rio. Para todos aqueles que vivem da pesca, que representam uma grande fatia da população, a barragem só trouxe dificuldades.

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Diz André Oliveira Sawakuchi, professor e investigador na Universidade de São Paulo (USP): "A barragem quebrou o pulso de inundação. A montante do reservatório, ele não existe mais. Então, essa região fica como se estivesse sempre na cheia. A jusante do reservatório, também não existe, só que aí fica como se estivesse sempre no período de seca. O problema que se enfrenta com a pesca ocorre porque a floresta aluvial não é mais alagada na época em que deveria ser, por isso não há reprodução de peixes nem alimentação adequada para os peixes".

"O progresso é ter a natureza em pé"

Para os indígenas, o melhor é mesmo não tocar na natureza. É a filosofia defendida pelo chefe da aldeia de Mïratu, que tem o rio como principal ganha-pão: "Esse é que é o progresso para nós, é ter a natureza em pé. Ter os animais e os rios da forma que Deus deixou, porque assim você sabe a época de plantar e a época de colher. Quanto àquilo a que o branco chama progresso, eu penso de forma diferente, porque ele acha que está fazendo o bem, trazendo progresso, mas ao mesmo tempo está destruindo a natureza", diz o chefe Giliarde Juruna.

O progresso, para nós, é ter a natureza em pé. Ter os animais e os rios da forma que Deus deixou.
Giliarde Juruna
Chefe da aldeia de Miratu

Encontrar uma solução satisfatória é uma missão espinhosa para o governo de Lula da Silva e para o futuro Ministério dos Povos Indígenas. Lula foi o grande impulsionador da barragem, na anterior passagem pelo Palácio do Planalto.

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