Em Antáquia, o choque transforma-se lentamente em revolta

Sismo na turquia
Sismo na turquia Direitos de autor IHA via AP
De  Anelise Borges
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Na capital da província de Hatay, uma das cidades mais atingidas pelos sismos, aumentam as críticas à resposta das autoridades

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Na Turquia e na Síria, milhares de pessoas perderam tudo. Agora, a espera e a esperança preenchem os dias dos sobreviventes.

Em Antáquia, a capital da província de Hatay, Umut Senoglu dorme num carro com a mãe há quase uma semana. Contou à Euronews que no domingo as equipas de resgate conseguiram retirar 20 corpos dos escombros, e que no sábado foi retirada a última pessoa com vida. “É difícil. Às vezes choramos. Às vezes, apenas esperamos", confessou.

Depois de sete dias de espera, o choque e a incredulidade estão lentamente a transformar-se em revolta, por causa do que muitos descrevem como uma resposta caótica.

"Empresas privadas enviaram as suas gruas e escavadoras. Mas quando chegaram, não sabiam o que fazer, eram apenas operadores técnicos. Podem usar gruas mas não são especialistas em salvamentos”, lamentou Umut.

Esta foi a pior catástrofe natural a atingir a Turquia em quase um século. E o governo diz que não havia hipótese do país estar preparado para algo desta magnitude.

A capital da província de Hatay está entre as mais duramente atingidas pelos sismos. Uma tragédia virou ao contrário a vida das pessoas. Sem eletricidade, água e casas de banho, aqueles que sobreviveram estão em grande risco. A cólera está a alastrar rapidamente - e os abalos secundários acontecem a toda a hora, todos os dias.

Em Antaquia, vive-se com a lembrança insistente de como a vida é tão frágil.

Sismo que atingiu Turquia e Síria já provocou mais de 40 mil mortos

Segundo o mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), o terramoto de magnitude 7,8, seguido de uma forte réplica de 7,5, na escala aberta de Richter, provocaram 31.643 mortos na Turquia e cerca de 9.300 na Síria

O diretor do Departamento Regional de Emergências da OMS revelouque na Síria, cerca de 4.800 pessoas morreram nas áreas controladas pelo regime de Bashar Al-Assad. Nas áreas controladas pelos rebeldes foram contabilizadas cerca de 4.500 vítimas mortais.

Resgates de sobreviventes "estão quase a terminar"

Na Turquia, equipas de resgate que incluem mineiros de carvão e peritos que utilizam cães e câmaras térmicas procuraram por sinais de vida em blocos de apartamentos destruídos. Esta segunda-feira, no sul da província de Hatay, foi resgatado dos escombros um rapaz de 13 anos, identificado apenas pelo seu primeiro nome, Kaan.

Histórias de resgates inundaram as redes sociais nos últimos dias, incluindo muitos que foram transmitidas ao vivo pela televisão turca. Mas dezenas de milhares de mortos foram encontrados durante o mesmo período. Especialistas dizem que os resgates de sobreviventes estão quase a terminar, por causa do tempo que passou desde os sismos, o facto de as temperaturas terem caído para os seis graus negativos e a gravidade do colapso dos edifícios.

Recém-nascida salva na Síria de boa saúde

A bébé chamada Aya - em árabe "um sinal de Deus" - poderá sair do hospital na terça-feira ou quarta-feira. A tia paterna da bebé, que deu à luz recentemente e sobreviveu ao terramoto, irá criá-la.

A mãe da recém-nascida morreu após dar à luz, e o seu pai e quatro irmãos também morreram no terramoto.

Hani Maarouf, pediatra do Hospital Cihan, na cidade de Afrin, no norte da Síria, disse à The Associated Press que a mulher do diretor do hospital tem estado a amamentar a menina. 

Maarouf disse que os polícias locais estavam de guarda no hospital para garantir que ninguém tentasse raptar a criança, depois de uma série de pessoas terem aparecido a afirmar serem seus familiares.

Outras fontes • AP

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