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Taxas de excesso de mortalidade na Europa: Porque são tão elevadas no pós-pandemia?

Arquivo: Trabalhadores da saúde no Hospital Mount Sinai, terça-feira, 16 de Março de 2021
Arquivo: Trabalhadores da saúde no Hospital Mount Sinai, terça-feira, 16 de Março de 2021 Direitos de autor AP Photo
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De  Euronews
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Como o mundo marca o terceiro ano desde o início da pandemia, o excesso de mortes continua a ser elevado. Perguntámos aos peritos porquê?

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A 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarava o surto Covid-19 uma pandemia global. A propagação do vírus levou a mudanças sem precedentes em todo o mundo, à medida que os governos e as autoridades sanitárias tentavam travar a sua propagação.

"Nos próximos dias, semanas, esperamos ver o número de casos, o número de mortes e o número de países afetados a aumentar ainda mais", afirmava Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-geral da OMS, ao fazer o anúncio.

As estatísticas mostram que as mortes causadas por ou relacionadas com a Covid-19 aumentaram significativamente a taxa de excesso de mortalidade a nível mundial. Segundo a Universidade Johns Hopkins, houve mais de 6,8 milhões de mortes directamente relacionadas com a Covid-19. Mas hoje, através da vacinação e mutações mais fracas, a ameaça tem sido travada. 

 No entanto, as taxas de excesso de mortalidade na Europa têm aumentado, acentuadamente, nos últimos meses. Vamos analisar os motivos.

O que é o excesso de mortalidade?

O excesso de mortalidade é o número de mortes que ocorrem acima e além do que seria de esperar num determinado período de tempo. Mede-se comparando o número de mortes durante um determinado período de tempo ( por exemplo, um ano) com o número médio de mortes durante esse mesmo período de tempo, em anos anteriores.

"A mortalidade permanece bastante estável ao longo dos anos, a menos que algo aconteça", explicava Quique Bassat, especialista em doenças infecciosas do ISGLOBAL, à Euronews. "Os desvios da mortalidade prevista são muito úteis, já que funcionam como bandeiras vermelhas, indicadoras de que algo pode estar a acontecer".

De acordo com a análise realizada pelo Eurostat, as taxas de excesso de mortalidade na União Europeia aumentaram 19% em dezembro de 2022, em comparação com o número médio de mortes, no mesmo período, entre 2016 e 2019.

O que significa isto em números? Segundo a EuroMOMO, foram registadas mais de 101.000 mortes em dezembro de 2022, em comparação com as 109.000 registadas em 2020, quando a SARS-COV-2 estava em alta circulação na Europa.

EuroMOMO
Número de mortes agrupadas na Europa - março 2020-23EuroMOMO

Mas nem todas as mortes por Covid-19 são mortes por COVID-19. As condições de saúde subjacentes estão a agravar as condições pré-existentes nas pessoas, desde as cardiovasculares às respiratórias.

A taxa de excesso de mortalidade varia entre os membros individuais da UE. De facto, em dezembro de 2022, países da Europa Oriental, como a Bulgária e a Roménia, registaram taxas muito inferiores à média da UE com -6% a -5,5%, respectivamente.

Mas países como a Alemanha, França, Áustria e Irlanda excederam todos a média de no mesmo período. A Alemanha registou um aumento surpreendente de 37,3% de excesso de mortes, nesse mês.

"É possível que a população tenha agora uma imunidade mais fraca contra a gripe, em comparação com os anos pré-Covid-19, porque muito poucas pessoas tiveram gripe nos últimos dois anos devido ao distanciamento social e ao uso de máscaras", referia Dmitry Kobak, assistente de investigação na Universidade de Tübingen.

Eurostat
Excesso de Mortalidade em dezembro de 2022Eurostat

Serviços de Saúde sobrecarregados

Existem outros factores que podem também estar a contribuir para o aumento das taxas de mortalidade excessiva na Europa. Por exemplo, a pandemia perturbou os sistemas de saúde, tornando mais difícil o acesso das pessoas a cuidados médicos relativos a outras patologias. Isto pode ter resultado em mais mortes por causas não relacionadas com o Covid-19, tais como doenças cardíacas ou cancro.

Quando "as águas acalmaram", a maioria dos governos não foi capaz de lidar com os custos adicionais que tais adições tiveram, e regressaram às situações pré-pandémicas, e em alguns casos, a situações ainda piores.
Quique Bassat
Especialista em doenças infecciosas, ISGLOBAL, Barcelona

"(Os sistemas de saúde) estão a tentar recuperar o atraso nos diagnósticos não realizados e nos tratamentos adiados devido à pandemia, especialmente quando os sistemas de saúde estavam sobrecarregados ou simplesmente com falta de pessoal. Isto contribui, consideravelmente, para a sobrecarga atual dos sistemas de saúde". Explicava à euronews, Jeffery Lazarus, Chefe do Grupo de Investigação de Sistemas de Saúde da ISGlobal. 

Ondas de calor

As condições médicas não são o único factor que contribuiu. O clima está a começar a desempenhar um papel mais importante na saúde das pessoas. Por exemplo, as históricas vagas de calor que abalaram a Europa no verão de 2022, quando as temperaturas em Espanha, Itália, França e Reino Unido atingiram os 40 graus; a intensa seca também provocou mortes.

De acordo com a OMS, mais de 15.000 pessoas morreram em consequência do calor na Europa. 

"Os mais vulneráveis às ondas de calor são tipicamente os trabalhadores ao ar livre, como os agricultores, e os trabalhadores da construção civil, bem como os mais idosos que já se encontram, frequentemente, em condições de saúde precárias", adiantava Jeffery Lazarus.

Diferentes extremos climáticos, no verão de 2022, atingiram os grupos mais vulneráveis, entre eles os idosos, através do stress térmico, problemas respiratórios provocados pela poluição do ar e doenças cardiovasculares e cerebrovasculares subjacentes.

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O que podem os governos fazer para prevenir futuras pandemias?

O aumento das taxas de excesso de mortalidade na Europa deve-se, portanto, a uma série de factores.

Quando começamos a pensar numa era pós-pandémica, os governos estão perfeitamente conscientes de que a nossa saúde e liberdade não devem ser tomadas como garantidas. Mas o que pode ser feito?

"Os governos precisam de ser pró-activos e não reactivos". diz o Dr. Lazarus. "Eles precisam de adoptar medidas de controlo com base em provas como a melhoria da qualidade do ar interior e a promoção do reforço da vacina Covid-19. Em vez disso, estão a tentar virar a página da pandemia, com o resultado de que milhões de europeus estão doentes com a Covid-19 ou a Covid-19 longa".

Outras fontes • Mario Bowden

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