China e Rússia acusam aliança militar AUKUS de minar a paz mundial

Primeiros ministros da Austrália e do Reino Unido ladeiam o presidente dos Estados Unidos
Primeiros ministros da Austrália e do Reino Unido ladeiam o presidente dos Estados Unidos Direitos de autor Stefan Rousseau/Pool Photo via AP
De  Francisco Marques
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Anúncio da colocação de submarinos nucleares na Austrália provoca preocupação em Pequim e Moscovo, e pode ter impacto na invasão da Ucrânia

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A China e a Rússia revelaram-se preocupadas após o anúncio da AUKUS de que a Austrália vai ter receber pelo menos três submarinos nucleares de fabrico norte-americano e acusa a aliança militar dos australianos com o Reino Unido e os Estados Unidos de estar a contribuir para a guerra fria na região do Indo-Pacífico e de minar a paz mundial.

A aliança conhecida pelo acrónimo anglófono AUKUS (n.: Australia, UK, US) levou Pequim e Moscovo a criticar o acesso da Austrália a submarinos nucleares de última geração numa altura em que as tensões com o ocidente já estão inflamadas devido sobretudo à invasão russa da Ucrânia e à posição passiva da China perante a agressão do Kremlin.

O governo chinês apontou "a típica mentalidade de guerra fria" dos três aliados anglo-saxónicos e avisou que o novo projeto dos submarinos nucleares a entregar à Austrália "apenas irá provocar uma ainda maior corrida às armas, prejudicar o regime internacional de não proliferação nuclear e prejudicar a estabilidade e a paz da região".

"Países amantes da paz pacíficos manifestaram grande preocupação e uma firme oposição a este projeto. A última declaração conjunta pelos Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália mostra que estes três países foram ainda mais longe num o caminho errado e perigoso", afirmou Wang Wenbin, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

Pelas redes sociais, o porta-voz do Ministério diplomático chinês apelou aos membros da AUKUS para "escutarem os apelos dos países da região e o resto do mundo", "descartarem a mentalidade de Guerra Fria e os cálculos geopolíticos, honrar as obrigações internacionais  evitar minar a estabilidade e a paz globais".

Do lado russo, foi mesmo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, a afirmar que "o mundo anglo-saxónico, com a criação de estruturas como a AUKUS e com o avanço das bases militares da NATO para a Ásia, está a fazer uma séria aposta numa confrontação para durar muitos anos".

A acordo dos submarinos nucleares no âmbito da nova aliança militar AUKUS ameaçar agravar a tensão na região do Indo-Pacífico e pode levar a China a estreitar ainda mais os laços que tem mantido com a Rússia perante o forte isolamento impostos pelo mundo ocidental aos interesses do Kremlin.

Numa altura em que a Rússia precisa de apoio para conseguir manter a invasão militar na Ucrânia, até aqui não apoiada publicamente por Pequim, a expansão armada da AUKUS pode vir a alterar a posição chinesa no fornecimento de armas às forças russas.

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