Mais de 1000 cidadãos europeus já sairam do Sudão

Cidadãos de várias nacionalidades procuram sair do Sudão
Cidadãos de várias nacionalidades procuram sair do Sudão Direitos de autor Raad Adayleh/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
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Operações coordenadas envolvendo Espanha, França, Reino Unido e EUA conseguiram retirar do Sudão centenas de cidadãos de várias nacionalidades

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As operações de evacuação já permitiram a retirada de dois terços dos cidadãos europeus que se encontravam em Cartum, onde, depois de falhar uma trégua, foram retomados os combates mortíferos dos últimos nove dias, que já fizeram mais de 420 mortos e 3700 feridos no Sudão.

De acordo com o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, sairam até ao momento mais de 1000 europeus que se encontravam no país:

"Quero agradecer os esforços combinados dos muitos países que trouxeram não só os seus cidadãos, mas também todos os outros que puderam trazer. Tem sido uma operação bem sucedida, mas complexa. Estive em contacto com os dois generais que lutam no Sudão e agora o cessar-fogo chegou ao fim. Temos de continuar a fazer pressão para obter um acordo político."

Na sexta-feira, um responsável europeu tinha afirmado que havia cerca de 1500 cidadãos europeus em Cartum, na maioria ligados a missões diplomáticas.

Várias capitais árabes também evacuaram centenas de cidadãos, nomeadamente por terra através da fronteira com o Egito e por mar a partir de Porto Sudão.

Peritos e organizações humanitárias interrogam-se sobre a situação dos milhões de sudaneses afetados pelos combates.

Maioria dos portugueses fora de perigo

Pelo menos 21 portugueses foram resgatados este domingo das zonas de maior perigo no Sudão, onde um violento confronto armado pelo poder entra agora na segunda semana.

"Ainda não estão todos fora do país, mas já estão todos fora da situação de maior perigo", revelou esta segunda-feira de manhã o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

João Gomes Cravinho disse terem sido identificados 22 portugueses a viver no país. Pelo menos, 11 já se encontram no Djibuti, os restantes estão a caminho das fronteiras, "com exceção de um que quis ficar e que se encontra numa situação segura no sul do país", esclareceu o ministro.

O grupo de onze fez parte de uma operação militar espanhola, que retirou daquele país africano uma centena de cidadãos estrangeiros, a maioria (30) espanhóis, mas também italianos, polacos e sul-americanos.

Evacuação da embaixada dos EUA

As forças de operações especiais dos EUA levaram a cabo uma evacuação precária da embaixada dos EUA no Sudão, no domingo. Os Estados Unidos fecharam a sua missão diplomática indefinidamente. Ficaram para trás milhares de cidadãos americanos. Funcionários norte-americanos disseram que seria demasiado perigoso levar a cabo uma operação de evacuação mais ampla.

As operações de evacuação prosseguem ao mesmo tempo que os combates, que vão no nono dia consecutivo.

Mais de 420 pessoas, incluindo 264 civis, foram mortas e mais de 3.700 ficaram feridas.

A luta pelo poder entre os militares sudaneses, liderados pelo General Abdel-Fattah Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), lideradas pelo General Mohammed Hamdan Dagalo, deu um duro golpe nas esperanças do Sudão de uma transição democrática.

Os generais rivais chegaram ao poder após uma revolta pró-democracia que levou à expulsão do antigo homem forte, Omar al-Bashir.

As batalhas entre dois comandantes sudaneses rivais forçaram o encerramento do principal aeroporto internacional e deixaram as estradas do país sob o controlo de combatentes armados.

Os combates no Sudão eclodiram a 15 de abril entre os dois comandantes que há 18 meses orquestraram conjuntamente um golpe militar para pressionarem a "transição da nação para a democracia".

A luta pelo poder entre os dois chefes militares obriga milhões de sudaneses a ficarem fechados em casa.

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A violência incluiu um ataque a uma escolta diplomática americana e numerosos incidentes em que diplomatas e trabalhadores humanitários estrangeiros foram mortos, feridos ou agredidos.

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